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OLHARES COTIDIANOS

Aquilo que os avós sabem

Uma homenagem íntima a dona Laurita, dona Nilzinha e às lições que só avós e netos compartilham

Sátina Pimenta | 23/07/2026, 13:15 h | Atualizado em 23/07/2026, 13:15
Olhares Cotidianos, por Sátina Pimenta

Sátina Pimenta

Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.


          Imagem ilustrativa da imagem Aquilo que os avós sabem
Sátina Pimenta é psicóloga clínica, advogada e professora universitária. |  Foto: Divulgação

Existem faltas que a gente sente para sempre. Algumas delas têm nome, cheiro, voz e lembranças que insistem em permanecer vivas. Quando penso no Dia dos Avós, comemorado no dia 26 de julho, penso imediatamente na minha avó Laurita.

Fui criança de creche. Minha mãe trabalhava no Banestes e meu pai passava longos períodos no trecho da Vale.

Eu passava boa parte dos meus dias entre salas, brinquedos e rotinas que precisavam funcionar. Mas minha avó não concordava muito com aquilo.

De vez em quando, ela simplesmente aparecia na creche, me buscava e só depois avisava à minha mãe que eu passaria o dia com ela. Hoje eu rio da ousadia.

Na época, eu só sabia que estava feliz. Minha avó me ensinou muitas coisas. Foi uma das minhas melhores amigas durante boa parte da vida.

Quando minha família se mudou para Salvador, ela percebeu um sofrimento que eu mesma não conseguia explicar.

Sentiu saudade dos meus lugares e das minhas referências. Então convenceu minha mãe a permitir que eu voltasse. Morei um ano com ela.

Um ano inteiro sendo cuidada por alguém que enxergava minhas necessidades antes mesmo que eu soubesse nomeá-las.

Talvez seja por isso que eu goste tanto de observar a relação dos meus filhos com os meus pais. Especialmente a relação do meu filho com a minha mãe. Ele pode passar horas conversando com ela. Horas.

Quer saber como era a infância dela, como era o bairro, as brincadeiras, as dificuldades, as alegrias. Quer entender um mundo que já não existe mais. E eu acho isso fascinante.

Vivemos em uma época em que tudo acontece rápido demais. As respostas chegam em segundos, as informações se acumulam e o novo parece sempre mais importante.

Mas existe um conhecimento que não cabe em mecanismos de busca. Ele mora nas histórias de vida. Mora nas experiências acumuladas. Mora nas pessoas que viveram outros tempos e carregam consigo aprendizados que nenhum algoritmo consegue produzir.

Ao mesmo tempo, os netos também ensinam. Existe uma troca silenciosa entre gerações. Os mais velhos oferecem experiência. Os mais novos oferecem renovação. E, nesse encontro, ambos saem transformados.

Isso meu sogro é o maior dos exemplos, com três netos, fica igual criança brincando na piscina que improvisou para as crianças no quintal. Já eu percebo isso com a minha avó Nilzinha de 93 anos. Trocamos tanto que o povo fica até com ciúmes.

Afinal, eu sei coisas dela que ninguém sabe! Tipo meio que amigas adolescentes. Eu adoro isso na gente.

Meus pais costumam dizer que ser avô é diferente de ser pai e mãe. Existe mais leveza. Menos preocupação com a obrigação de acertar e mais espaço para simplesmente amar.

Talvez por isso exista a brincadeira de que avós “estragam” os netos. Talvez uma das maiores riquezas da vida seja justamente essa: perceber que o amor continua encontrando novos caminhos para existir.

Um beijo, dona Laurita, onde quer que a senhora esteja. Um beijo, dona Nilzinha, nossa eterna Miss Espírito Santo.

E feliz Dia dos Avós para todos aqueles que transformam experiência em afeto, memória em legado e presença em amor.

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Satina Pimenta é psicóloga, advogada e mestre em Administração, com atuação na interface entre Direito, Psicologia e Gestão. Docente, coordenadora acadêmica e pesquisadora, é Pró-Reitora e Coordenadora de Psicologia no Centro Universitário Estácio Vitória. Palestrante em saúde mental, lidera projetos acadêmicos e idealizou o app EmocionCare.

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