Banco com cartões, moeda própria e até caixa eletrônico: finanças na sala de aula
Escola municipal em Cariacica tem “agência bancária” e transforma conceitos de educação financeira em atividades práticas
Aprender a economizar, entender como funciona um cartão bancário, refletir sobre consumo consciente e até utilizar um caixa eletrônico. Esses conhecimentos, normalmente associados à vida adulta, já fazem parte da rotina de estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental de Tempo Integral Cívico-Militar Terfina Rocha Ferreira, em Itacibá, Cariacica.
Por lá, um Banco Sustentável reproduz o funcionamento de uma agência bancária e transforma conceitos de educação financeira em atividades práticas.
Os alunos utilizam cartões com senha, passam pelo caixa eletrônico e acumulam créditos em uma moeda pedagógica, conquistada por meio da participação nas atividades escolares.
Segundo a diretora da escola, Ângela Págio, o objetivo é preparar os estudantes para lidar com dinheiro desde cedo. “Eles aprendem o que é um crédito, o que é um empréstimo, o que é consumo consciente e como vão administrar as finanças na vida adulta”.
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A iniciativa faz parte de um projeto de sustentabilidade e empreendedorismo criado pela diretora em 2018, em outra unidade de ensino, e implantado na Terfina Rocha Ferreira desde 2024.
Atualmente, Lídia Elena Lopes e Calebe Moraes Pereira, de 11 anos, e Mayza Gonzaga Pião, 10 anos, se juntam à outros 917 alunos que vivem a experiência. Uma das atividades para acumular crédito é a reciclagem. Dez garrafas PET rendem duas leonças, que é a moeda fictícia utilizada no projeto.
Elas ficam registradas eletronicamente no cartão do aluno e podem ser utilizadas durante a Feira de Empreendedorismo da escola para adquirir brinquedos produzidos com materiais recicláveis.
Para Ângela, a proposta vai muito além da matemática. “Nós navegamos por todas as disciplinas, numa transversalidade de conteúdos. Trabalhamos Ciência, Matemática, História, Geografia e sustentabilidade. O projeto faz parte da formação integral dos nossos estudantes”.
A aluna Ágatha Luz, de 11 anos, do 5º ano, conta que o projeto mudou a forma como enxerga o dinheiro. “Eu gosto de comprar os brinquedos na feirinha. Aprendi que não se pode gastar muito, porque o dinheiro vai acabando e a gente fica no prejuízo”.
Segundo ela, acompanhar o saldo no cartão e decidir como utilizar os créditos faz com que cada compra seja planejada.
Como funciona o Banco Sustentável
Operação bancária simulada
Quem participa?
São cerca de 920 estudantes, do 1º ao 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental de Tempo Integral Cívico-Militar Terfina Rocha Ferreira.
Como ganham créditos?
Eles participam de atividades pedagógicas e ganham créditos, por meio de uma moeda fictícia chamada leonça.
Uma das atividades é levar materiais recicláveis para a escola, como garrafas PET, tampinhas e papel, que são convertidos de acordo com uma tabela de pontuação.
Onde os créditos ficam?
Cada estudante tem um cartão individual com senha. Os créditos são registrados eletronicamente e podem ser consultados por meio de um sistema, uma espécie de “caixa eletrônico”.
Como funciona o caixa eletrônico?
Desenvolvido pela própria escola com recursos de robótica, o equipamento simula uma operação bancária: o aluno insere o cartão, digita a senha e consulta o saldo disponível.
O que pode ser comprado?
Os créditos são utilizados durante a Feira de Empreendedorismo da escola, na compra de brinquedos produzidos com materiais recicláveis e outros produtos desenvolvidos pelos próprios estudantes.
O que os alunos aprendem?
Além de educação financeira, os estudantes desenvolvem noções de consumo consciente, planejamento financeiro, sustentabilidade, empreendedorismo e responsabilidade ambiental.
O que a educação fez por mim
Da curiosidade em tecnologia ao reconhecimento global
“A educação sempre foi o fio condutor da minha vida. Desde criança, em Jacaraípe, eu era fascinado por tecnologia. Em uma época sem internet, aprendi por livros, revistas, apostilas e pela curiosidade de testar até funcionar.
Ainda adolescente, por volta dos 13 anos, antes de a internet se popularizar, criei em casa uma espécie de ponto de encontro virtual (BBS).
Pela linha telefônica, outras pessoas conseguiam acessar meu computador para trocar mensagens, arquivos e jogar “online”.
A experiência começou a gerar uma pequena renda e abriu caminho para meu primeiro negócio, a Digital Boys, que oferecia serviços de digitação, digitalização e cópias, antes mesmo de completar 16 anos.
Depois, atuei em finanças, inteligência competitiva, planejamento comercial e CRM. Anos mais tarde, fiz a transição para a tecnologia e para o ecossistema Salesforce. Precisei voltar à posição de aluno, estudar em inglês, conquistar certificações e acompanhar atualizações constantes.
Hoje, atuo como arquiteto de soluções e fui reconhecido como Salesforce MVP, título concedido a profissionais que se destacam pelo conhecimento e pela contribuição à comunidade. A educação transformou minha carreira e me deu a responsabilidade de compartilhar conhecimento para ajudar outras pessoas a mudar histórias.”
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