Os riscos da IA para crianças e adolescentes
Ferramentas inteligentes já fazem parte da rotina dos jovens; o desafio é guiar o uso com limites, senso crítico e propósito pedagógico
Eduardo Pinheiro
Com formação em Direito e TI e Mestre em Políticas Públicas, Eduardo é pioneiro em segurança digital no Brasil. Fundou a Delegacia de Crimes Cibernéticos (2000) e o Programa de Proteção de Dados do Espírito Santo (2021). Especialista em LGPD e IA, é professor, palestrante e comentarista de tecnologia da TV Tribuna/BAND.
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A inteligência artificial deixou de ser uma tecnologia restrita a especialistas e passou a fazer parte do cotidiano de milhões de pessoas. Entre elas, crianças e adolescentes, que utilizam ferramentas de IA para estudar, conversar, pesquisar, criar imagens, produzir vídeos e até buscar companhia em momentos de solidão. Diante dessa realidade, muitos pais se perguntam: é possível impedir o acesso dos filhos à inteligência artificial? A resposta mais realista é não. O verdadeiro desafio não está na proibição, mas na orientação.
O primeiro ponto de atenção é que a inteligência artificial ainda erra. Embora impressione pela capacidade de responder perguntas e produzir conteúdos, os modelos podem gerar informações incorretas, fenômeno conhecido como “alucinação”.
Uma criança que utiliza a IA para fazer pesquisas escolares pode receber respostas aparentemente convincentes, mas completamente equivocadas. Sem supervisão e senso crítico, o risco de aprender informações erradas aumenta significativamente.
Há também uma preocupação crescente relacionada à dependência emocional. Casos registrados em diferentes países mostram jovens desenvolvendo vínculos afetivos com assistentes virtuais, confundindo sistemas de IA com amizades reais.
Embora a tecnologia seja capaz de simular empatia e manter conversas agradáveis, ela não substitui relacionamentos humanos. Quando essa fronteira se torna confusa, o desenvolvimento social e emocional pode ser prejudicado.
Talvez o maior risco esteja no comprometimento do desenvolvimento cognitivo. Resolver exercícios, elaborar trabalhos, resumir livros e responder questões são atividades que estimulam o raciocínio.
Quando a IA passa a fazer todo o esforço, o cérebro deixa de ser desafiado. O resultado pode ser a formação de jovens menos críticos, menos criativos e excessivamente dependentes da tecnologia para tarefas que deveriam desenvolver suas capacidades intelectuais.
A preocupação é tão relevante que o Ministério da Educação já iniciou estudos para discutir diretrizes sobre o uso da inteligência artificial nas redes de ensino brasileiras. O objetivo não é impedir a inovação, mas criar parâmetros que garantam seu uso responsável no ambiente educacional.
Isso porque a IA também pode ser uma grande aliada da aprendizagem.
Utilizada corretamente, ela pode ajudar na criação de cronogramas de estudo, sugerir exercícios complementares, esclarecer dúvidas e auxiliar na revisão de conteúdos.
O problema não é usar a inteligência artificial, mas permitir que ela substitua o esforço intelectual do estudante.
A tecnologia continuará evoluindo e estará cada vez mais presente na vida das novas gerações. Por isso, pais e responsáveis precisam exercer uma orientação ativa e contínua, conversando sobre limites, riscos e boas práticas.
Afinal, por mais inteligente que pareça, é sempre bom lembrar que a IA continua sendo apenas uma ferramenta.
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