Casa já foi atingida por três carros e helicóptero
Só neste ano o muro da casa da aposentada, que mora no local há 30 anos, foi atingido três vezes. Ela diz que rua não tem infraestrutura
Uma única casa em Vila Velha foi atingida por três carros e por um helicóptero. Os acidentes de trânsito ocorreram este ano, enquanto a queda do helicópero foi registrada em 2021. O resultado são danos que vão da estrutura da residência até o muro, que foi destruído em dois locais, além do rompimento da rede elétrica.
Rosângela Maria Marques, aposentada, 67 anos, mora há cerca de 30 anos na mesma casa, na Estrada Ayrton Senna, em Riviera da Barra, onde criou os filhos. Ela conta que em dois dos acidentes, os motoristas aparentavam ter bebido e estavam em alta velocidade.
“No primeiro, o homem destruiu o muro da minha casa, de madrugada. Ele tentou sair do carro pela janela, e segurava um copo. No segundo acidente, um casal havia bebido, discutiu no veículo, o homem perdeu o controle do volante, e destruiu outra parte do muro”, contou.
A ocorrência envolvendo um helicóptero aconteceu em janeiro de 2021. O engenheiro de manutenção Octávio Schneider, 68 anos, e a namorada, a empresária Lucimara Poleto, 52 anos, morreram após a queda da aeronave.
“Eu estava na janela quando vi o helicóptero vindo em direção à minha casa e me abaixei. Ouvi batendo no coqueiro e caindo em uma área próxima. A árvore puxou o piso por baixo, trincou paredes e os destroços ficaram no meu terreno. Procurei ajuda, mas ninguém nunca me respondeu”, disse.
Devido às colisões dos veículos, a aposentada chegou a ficar sem energia elétrica em casa por mais de 15 dias ininterruptos.
“Entre o primeiro acidente e o terceiro, eu fiquei sem poder usar aparelhos elétricos, precisei desligar minha geladeira e levar as comidas para a casa do meu filho, que mora na mesma rua. Tive que comprar um padrão novo de energia e instalar aqui”, disse.
Rosângela se queixa que os acidentes acontecem devido à falta de infraestrutura nas proximidades da casa, e também por obras inacabadas na região, por parte do Departamento de Estradas e Rodagem do Espírito Santo (DER-ES).
“Meus vizinhos também reclamam da falta de quebra-molas. A obra do DER parou a um metro da minha casa, e sem construir lugar para pedestres andarem. Já pedi ajuda, liguei, mas ninguém resolve o meu problema”, queixou-se.
Rosângela Maria Marques aposentada
“Não parei em pé de tão assustada”
A Tribuna — Como foi o primeiro acidente?
Rosângela — Eu estava no banheiro, às 4h, quando a luz acabou. Olhei pela janela e vi uma nuvem de poeira. De outro basculante vi que a rua estava com energia. Pensei que era um incêndio na minha casa. Saí do banheiro e vi que tinha um carro no meu terreno, mas não consegui abrir a porta principal, e fiquei com medo.
Eu não parei em pé de tão assustada. Precisei ligar para o meu filho, que veio até aqui. O carro carregou meu portão, o padrão de energia e saiu levando tudo.
E qual foi a reação do motorista após a colisão?
Ele segurava um copo, falava pouco e dizia: “Calma, dona, vou pagar tudo”. Uns amigos dele chegaram em outro carro e ele foi embora. Voltou no mesmo dia, de tarde. Tentaram consertar o muro, mas fizeram tudo errado, pedi que parassem e tomei conta do estrago.
E você conseguiu consertar o muro nos dias seguintes?
Até hoje não. O segundo acidente destruiu outra parte quando o pedreiro estava quase terminando a obra. O terceiro acidente aconteceu porque um veículo foi atingido em alta velocidade na estrada, rodopiou e bateu de novo no muro. Tem um tapume e um pedaço de lata tampando a entrada da minha casa para eu poder entrar e sair quando precisar, e ter privacidade.
Como está sendo conviver com tantos acidentes?
Eu estou construindo um muro de arrimo dentro do meu quintal para outro carro não entrar no meu terreno se bater na parte de fora de novo. Já não saio mais de casa, não posso estender minhas roupas e minha horta está destruída. Qualquer barulho que escuto na rua, saio correndo, porque estou assustada. Não durmo de noite com medo de outro acidente acontecer.
Você já procurou o poder público para respostas?
Já fui até o DER, falei da minha situação, mas ninguém me ajuda. Estou me sentindo abandonada, desprezada, ignorada, eu só ganho promessas, não solução. Eu estou com o psicológico abaladíssimo, estou desesperada.
Não tenho mais para onde ir, já tentei vender a casa, mas não consegui. E além do mais, tenho meus direitos como cidadã, pago meus impostos, mas para quê? Não estou pedindo mais ajuda, estou implorando, porque não sei mais o que fazer. Peço ajuda ao DER, ao governo, a quem puder, porque isso não é vida, eu preciso de uma solução.
Cronograma dos acidentes
6 de janeiro de 2021
Rosângela Maria Marques conta que se lembra de cada detalhe porque era o aniversário de um sobrinho. Ela estava na janela quando viu o helicóptero caindo na direção da casa dela.
A aeronave bateu no coqueiro da residência, arrancando folhas e quebrando a copa da árvore, que caiu.
O piso foi puxado junto das raízes do coqueiro, e as paredes ficaram trincadas com a queda do coqueiro.
Destroços do helicóptero ficaram espalhados pelo terreno da aposentada, que procurou familiares do piloto, mas nunca os encontrou.
9 de maio de 2026
A primeira colisão no muro da aposentada aconteceu nas primeiras horas da manhã, por volta das 4h. O impacto foi tão forte que arrastou o portão e o padrão de energia que alimentava a casa.
Rosângela conta que precisou ligar para o filho, porque não conseguia abrir a porta da residência.
O motorista foi embora com os amigos e voltou na tarde do mesmo dia, sem conseguir consertar o estrago que fez no muro.
15 de junho de 2026
Durante as obras para reerguer o muro, o segundo acidente aconteceu, às 22h45, com mais um carro invadindo o terreno da casa da aposentada.
No veículo estavam um casal e uma criança. A mulher falou com Rosângela, disse que os dois haviam bebido em um bar próximo, e que, no trajeto, começaram uma discussão.
Ela tentou tomar o volante e o homem perdeu o controle da direção. Uma ambulância foi chamada, e o motorista levou a criança para um Pronto Atendimento. Outro pedaço do muro foi destruído com o acidente.
5 de julho de 2026
No último domingo (05), às 9h40, dois carros colidiram na frente da residência de Rosângela.
Um dos veículos, que foi atingido na lateral, rodopiou na pista e bateu no muro da residência, mais uma vez.
A aposentada conta que, nesta ocorrência, ouviu tudo, pois estava acordada em casa. Ao escutar o barulho na estrada, já se preocupou. Segundos depois, veio o estrondo de mais uma colisão no muro da casa, que segue destruído em dois pontos.
Nenhum dos acidentes teve vítimas fatais ou feridos graves.
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