El Niño: como será o plano de ação do ES para enfrentar o período de seca
Governo apresentou plano de preparação e enfrentamento ao El Niño, que pode resultar ainda em ondas de calor e chuvas intensas
A possibilidade de um El Niño com efeitos mais intensos entre este ano e o início de 2027 colocou o Espírito Santo em estado de atenção.
Com previsão de estiagens prolongadas em parte do Estado, ondas de calor e risco de chuvas intensas em outras regiões, o governo lançou um plano de preparação que reúne ações para proteger o abastecimento de água, reduzir impactos na agricultura e reforçar a resposta a eventos climáticos extremos.
Segundo relatório de cenários de risco climático, elaborado pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec-ES), para o Espírito Santo, o fenômeno aponta para aumento significativo do risco de estresse térmico e da ocorrência de ondas de calor entre agosto de 2026 e março de 2027.
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As projeções climáticas indicam tendência de elevação das temperaturas, além de irregularidade no regime de chuvas, aumentando a probabilidade de estiagens prolongadas, redução da disponibilidade hídrica e intensificação dos incêndios em vegetação.
Um plano de preparação e enfrentamento ao fenômeno foi apresentado ontem pelo governador do Estado, Ricardo Ferraço.
Na ocasião, ele ainda assinou um decreto que cria o Centro Integrado de Comando e Controle do El Niño, que reúne órgãos do governo do Estado em uma atuação coordenada.
“Tudo indica que teremos um período de forte influência do El Niño. Há previsão de estiagem prolongada, com possíveis impactos econômicos e sociais, e estamos adotando medidas para ampliar a capacidade de resposta do Estado”, afirmou o governador.
O coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Benício Ferrari Júnior, destacou investimentos que vêm sendo realizados nos últimos anos no monitoramento, estruturação dos municípios, fortalecimento de equipes de forças de segurança e salvamento, além de serviços voltados para atendimento de possíveis pessoas afetadas.
“Somente em equipamentos, veículos e maquinários doados a municípios, foram R$ 200 milhões investidos. Já em obras de prevenção, ultrapassa 1,7 bilhão”.
Ferrari destaca que o sucesso das medidas também depende da participação da população. “Não existe lugar nenhum do mundo em que toda a resposta seja dada apenas pelo poder público. A população faz parte do enfrentamento. Quando orientamos a economizar água ou evitar queimadas, essa colaboração faz diferença e ajuda a reduzir os impactos”, diz.
Saiba mais
Plano de Enfrentamento aos impactos do El Niño
O governo do Estado anunciou um conjunto de medidas preventivas para enfrentar os impactos climáticos do fenômeno El Niño.
Entre as medidas, o governador Ricardo Ferraço assinou ontem o decreto que cria o Centro Integrado de Comando e Controle El Niño, reunindo diversos órgãos do governo estadual em uma atuação coordenada.
O decreto estabelece um planejamento e define responsabilidades. Também serão divulgados boletins periódicos sobre o fenômeno e as ações adotadas, garantindo transparência à população, diz o governo.
Cenário no Estado
Com base nos dados de monitoramento e nas projeções climáticas elaboradas pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil (Cepdec-ES), o Espírito Santo deve passar, principalmente entre agosto deste ano e março de 2027, a sentir os efeitos do El Niño.
Entre as anomalias climáticas, o Estado tem a expectativa de um cenário de estiagens prolongadas em algumas regiões – com temperaturas mais altas e pouca chuva em épocas geralmente de maiores volumes –, além da possibilidade de episódios de chuvas intensas em outros locais.
Rede de Monitoramento
Entre as principais frentes de atuação está o fortalecimento da rede de monitoramento meteorológico.
A Defesa Civil realiza monitoramento 24 horas por dia, utilizando imagens de satélite, estações meteorológicas e a Plataforma V-Fogo, responsável pelo acompanhamento, em tempo real, dos focos de calor.
A Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) opera 32 estações de monitoramento fluviométrico dos rios capixabas, enquanto Cesan acompanha o nível da água nos pontos de captação para abastecimento.
Algumas medidas adotadas
A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) estruturou ações preventivas, incluindo a entrega antecipada de carros-pipa e maquinários, como caçambas, escavadeiras e pás carregadeiras aos municípios, além da distribuição de ensacadoras de forragem e da formação de estoques estratégicos de silagem para garantir a alimentação dos rebanhos.
O Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (NOTAer) adquiriu, nos últimos anos, duas novas aeronaves e um caminhão de abastecimento.
Na área de infraestrutura hídrica, o governo do Estado mantém investimentos em 33 barragens de uso coletivo, entre concluídas e em execução.
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