Mudanças climáticas: energia e alimentos podem ser afetados
Consequências do El Niño também podem causar reflexos no abastecimento de água e até na saúde da população
As consequências do El Niño não devem se limitar ao aumento da temperatura, estiagem prolongada ou às chuvas intensas. Dependendo de como irá se manifestar e da intensidade, o fenômeno pode afetar também o abastecimento de água, a produção de alimentos, o fornecimento de energia e até a saúde da população.
De acordo com o professor do Departamento de Oceanografia e Ecologia da Ufes, Agnaldo Martins, embora ainda não seja possível prever com exatidão a intensidade dos efeitos no Estado, o aquecimento acima do normal das águas do Pacífico aumenta a probabilidade de eventos extremos.
“Não significa que eles vão acontecer, mas existe uma chance maior de termos ondas de calor e episódios de chuva intensa. Por isso, é importante que o poder público e a população estejam preparados”, afirma.
Martins explica que o El Niño tende a elevar ainda mais as temperaturas em um período que já costuma ser quente, o que pode aumentar o consumo de energia, pressionar o abastecimento de água e provocar reflexos na produção agrícola.
“Um evento extremo, seja de calor ou de chuva, acaba impactando a produção de alimentos. Está tudo ligado”.
O doutor em Ciência Florestal e ambientalista Luiz Fernando Schettino afirmou que, no Estado, o El Niño, entre 2026 e 2027, tem a previsão de temperaturas acima da média, estiagens prolongadas no Norte e Noroeste e tempo instável no litoral e Sul.
“Ondas de calor podem aumentar casos de desidratação, doenças respiratórias e cardiovasculares. Na economia, perdas na produção agrícola, especialmente café conilon e pecuária de leite”.
Schettino destacou ainda que o meio ambiente enfrenta risco elevado de incêndios florestais e enchentes, resultado da combinação entre estiagens prolongadas e chuvas intensas.
“O enfrentamento do El Niño exige responsabilidade compartilhada. Cada cidadão deve adotar práticas de economia de água e energia, colaborar na prevenção de incêndios e cuidar da saúde em períodos de calor extremo”.
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