BR-262: quem terá de sair?
Concorrência 90106/26 seleciona supervisão antes da obra, define peso maior para técnica e aciona fase crucial de desapropriações
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O Dnit-ES publicou o edital da Concorrência nº 90106/26, com sessão em 17 de agosto. É um marco, mas convém esclarecer: ele não contrata a obra da BR-262, e sim a supervisão dela — a construção, sob contratação integrada, virá depois. Que a supervisão venha antes é acerto técnico: dá ao Dnit corpo técnico independente desde os projetos.
O valor de R$ 164,8 milhões pode parecer elevado, mas ganha proporção diante da obra: cerca de R$ 8,6 bilhões no todo, dos quais R$ 6 bilhões apenas nos três lotes supervisionados. É fração modesta — o preço de proteger um investimento bilionário.
Merece elogio, ainda, o critério: técnica e preço, com 70% de peso para a técnica. No Brasil, a regra geral é o menor preço; mas a Lei nº 14.133/2021 o reserva a objetos em que a qualidade é decisiva: quando um erro pode comprometer um túnel ou um viaduto, não se escolhe quem fiscaliza pelo lance mais barato.
Dezenas de viadutos, 28 pontes, túneis escavados na rocha, passarelas. A grandiosidade encanta no papel — mas há uma pergunta que raramente aparece: onde tudo isso será construído?
A rodovia nova não nasce no vazio: precisa de terra, e terra tem dono. O traçado muda muito, sobretudo entre Viana e Marechal Floriano — de um lado, a pista nova; de outro, famílias que hoje sequer margeiam a estrada.
Faixa de domínio nova significa desapropriação — dos pontos mais delicados de qualquer obra rodoviária.
Não por acaso, o edital prevê o cadastramento cartorial: o levantamento, imóvel por imóvel, de quem é o dono de cada terreno afetado, segundo os cartórios — é ele que dirá quem será indenizado e por quanto.
Ao proprietário, cabe acompanhar as publicações do Dnit (onde saem o traçado e os prazos), ir às audiências e unir-se aos vizinhos: quem chega informado e assessorado recebe indenização justa; quem chega sozinho aceita menos do que lhe é devido.
A publicação deste edital mostra que a duplicação da BR-262 saiu do campo da promessa. Eixo rumo a Minas e ao porto de Vitória, modernizá-la é elevar a segurança e destravar competitividade — sinal ao investidor de que o Estado tem infraestrutura confiável.
Que o certame transcorra com o rigor que o critério promete, e as desapropriações, com a mesma justiça, à altura de um Espírito Santo cada vez mais preparado para crescer.
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