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OPINIÃO ECONÔMICA

Geração Z quer a casa própria, mas do seu jeito

Com foco em mobilidade e qualidade de vida, jovens priorizam localização e praticidade — sem abandonar o sonho do imóvel próprio

Ricardo Gava | 17/06/2026, 12:58 h | Atualizado em 17/06/2026, 12:58
Opinião Econômica


          Imagem ilustrativa da imagem Geração Z quer a casa própria, mas do seu jeito
Ricardo Gava é diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi Secovi ES |  Foto: Divulgação

Durante muito tempo, comprar um imóvel foi associado a alguns símbolos quase obrigatórios: um apartamento grande, várias vagas de garagem e a ideia de permanecer no mesmo lugar por décadas. A Geração Z, formada pelos jovens nascidos entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010, continua sonhando com a casa própria, mas enxerga esse objetivo de forma diferente das gerações anteriores.

Para esse público, localização, mobilidade, conectividade, praticidade e qualidade de vida costumam ter mais peso do que características que antes eram consideradas indispensáveis.

Estar próximo do trabalho, de áreas de lazer, comércio, serviços e opções de transporte muitas vezes vale mais do que ter grandes espaços ou múltiplas vagas de garagem. O imóvel deixa de ser apenas um patrimônio físico e passa a fazer parte de um estilo de vida.

Também cresce a valorização de condomínios que ofereçam experiências e conveniência. Áreas de convivência, espaços compartilhados, ambientes para trabalho remoto, lazer e segurança ganham relevância nas decisões de compra. Essa mudança não significa menor interesse pela aquisição de imóveis. Pelo contrário.

Pesquisa recente aponta que 61% da Geração Z pretendem comprar a casa própria em 2026. O dado ajuda a derrubar uma percepção comum de que os jovens teriam abandonado esse objetivo. O que mudou não foi o desejo de possuir um imóvel, mas a forma como ele é percebido. Hoje, além de moradia, o imóvel é visto como instrumento de estabilidade financeira, proteção patrimonial e construção de patrimônio de longo prazo.

Entretanto, transformar esse desejo em realidade exige planejamento. Em um mercado cada vez mais competitivo, a organização financeira continua sendo um dos fatores mais importantes para quem pretende adquirir o primeiro imóvel.

A formação da entrada, o controle do endividamento, a construção de um bom histórico de crédito e o uso inteligente dos recursos disponíveis fazem toda a diferença.

Nesse contexto, ferramentas como o FGTS continuam desempenhando papel fundamental ao ajudar milhares de famílias a reduzir o valor financiado ou complementar a entrada necessária para a compra.

Outro ponto importante é entender que o financiamento imobiliário não deve ser analisado apenas pela parcela inicial. A escolha adequada do prazo, das condições de crédito e da capacidade de pagamento são fatores que impactam diretamente a saúde financeira da família ao longo dos anos.

O desafio para os próximos anos será conectar o sonho dessa nova geração às condições necessárias para viabilizá-lo. Isso passa pela manutenção de linhas de crédito imobiliário acessíveis, pela oferta de financiamentos sustentáveis e pela preservação das fontes de recursos que alimentam o sistema habitacional brasileiro.

Nesse cenário, o FGTS merece atenção especial. Além de sua função de proteção ao trabalhador, ele possui uma importante missão social ao apoiar o financiamento habitacional no país. Da mesma forma, taxas de juros mais acessíveis ampliam o poder de compra das famílias e contribuem para que mais brasileiros consigam transformar o desejo da casa própria em realidade.

A Geração Z pode ter mudado a forma de escolher um imóvel, mas a importância da casa própria continua presente. O endereço ideal talvez seja diferente do passado. O sonho, porém, permanece vivo.

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