Homem que confessou ter matado Dante Michelini se torna réu na Justiça
Decisão trouxe detalhes sobre o crime, ocorrido em janeiro deste ano em Guarapari
A Justiça tornou réu o homem que confessou ter assassinado Dante Brito Michelini, de 75 anos, em janeiro deste ano em Guarapari.
William Santos Monzoli, que segue preso preventivamente, irá responder por homicídio qualificado, com agravante por a vítima ser idosa, além de outros crimes relacionados ao caso — como violação de domicílio, dano, ocultação e vilipêndio de cadáver, e crime previsto na Lei de Drogas.
Procurado pela reportagem do Tribuna Online, o Ministério Público confirmou que apresentou a denúncia contra o acusado. A partir de um pedido do órgão, o juiz decretou a prisão preventiva de William e retirou o sigilo do processo.
"Atualmente, o caso aguarda decisão judicial sobre as questões processuais apresentadas. Após a apreciação pelo juízo, o caminho normal será a designação da audiência de instrução, ocasião em que serão ouvidas as testemunhas e interrogado o réu [...]. Por fim, o Ministério Público e a defesa apresentarão suas alegações finais, para que o juiz defina se o réu será submetido a julgamento perante o Tribunal do Júri", explicou, por nota.
Decisão apresenta detalhes sobre o caso
A decisão que confirma o recebimento da denúncia contra o acusado traz detalhes sobre o crime, que ocorreu entre os dias 19 e 20 de janeiro deste ano. No documento, o juíz afirma que há prova da existência dos crimes imputados ao denunciado, com indicíos suficientes de sua autoria.
Ainda segundo o magistrado, trata-se de um crime por meio cruel e por motivo torpe, já que Dante Michelini foi golpeado com socos até desmaiar e teve a cabeça decepada pelo réu. "Os crimes imputados ao acusado, de homicídio consumado, cometido por motivo torpe, em razão de ter sido agredido anteriormente pela vítima e por acreditar que ela seria estupradora", destacou.
O documento traz, ainda, detalhes do depoimento do acusado, que confessou o crime e deu detalhes sobre o assassinato. Aos policiais, William afirmou que veio da Bahia para Guarapari próximo da virada do ano e que, neste período, teria dormido no galpão da chácara de Dante Michelini.
Segundo ele, a vítima teria descoberto a invasão de propriedade e o agredido com um pedaço de madeira. Ele afirmou, ainda, que tomou conhecimento de que "a vítima havia estuprado uma garotinha", em referência ao caso Aracelli — Dante Michelini foi investigado pela morte de Araceli Cabrera Crespo, assassinada aos 8 anos, em 1973, em Vitória.
William afirmou que, após a agressão, foi alvo de piadas de moradores do bairro por ter "apanhado de um estuprador". E que, juntamente com o fato de ser agredido, esta teria sido a motivação do crime.
Após matar Dante Michelini, o acusado o decaptou e, tempo depois, jogou a cabeça da vítima em um rio. O pedaço do corpo foi encontrado cerca de uma semana depois do cadáver ser localizado, em um canal na região de Meaípe.
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