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TRIBUNA LIVRE

Consórcio imobiliário: o que saber antes de contratar

Modalidade sem juros ganha espaço, mas exige atenção a taxas, correção pelo INCC e aprovação de crédito

Ricardo Gava | 30/06/2026, 12:34 h | Atualizado em 30/06/2026, 12:34
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna


          Imagem ilustrativa da imagem Consórcio imobiliário: o que saber antes de contratar
Ricardo Gava é diretor da Gava Crédito Imobiliário e da Ademi Secovi ES |  Foto: Divulgação

Com o aumento dos juros nos últimos anos, o consórcio ganhou força entre quem busca comprar um imóvel de forma mais planejada. Mas, antes de contratar, é importante entender como a modalidade funciona na prática.

Uma das principais características é a ausência de juros. No entanto, existem outros encargos: taxa de administração, fundo de reserva e seguro podem compor o valor mensal. Solicitar o demonstrativo completo e analisar o contrato com atenção é essencial.

Outro ponto importante é a correção da carta de crédito pelo INCC, o Índice Nacional de Custo da Construção. Nos últimos 25 anos, esse índice ficou em torno de 7,4% ao ano, o que serve como referência de planejamento, mesmo podendo variar conforme o ciclo econômico. As parcelas sobem na mesma proporção, pois são recalculadas sobre o saldo devedor atualizado. Quem entra sem considerar isso tende a se surpreender. Quem entra sabendo, planeja melhor.

A contemplação depende de sorteio ou lance, ou seja, o momento de receber a carta não é definido na contratação. Pode acontecer antes do esperado ou levar anos, sem previsão. Quem tem flexibilidade de prazo encontra no consórcio uma boa oportunidade. Já quem precisa do imóvel em prazo mais curto precisa avaliar esse ponto antes de decidir. O lance pode antecipar a contemplação. Em muitos casos, principalmente no lance embutido, o valor utilizado é descontado da própria carta, reduzindo o montante disponível para a compra.

A análise de crédito também merece atenção. A primeira etapa acontece na contratação e costuma ser mais simples. Em algumas administradoras, é possível ingressar no grupo mesmo com pendências financeiras, o que pode ser uma oportunidade para quem está reorganizando a vida financeira e consegue manter o compromisso mensal.

A etapa mais criteriosa ocorre no momento da contemplação, quando a administradora analisa com mais profundidade o perfil financeiro do comprador. E aqui mora um risco real: a pessoa entra no grupo, paga as parcelas, é contemplada e pode não conseguir aprovação do crédito naquele momento.

Vale lembrar que as parcelas sobem ao longo do tempo e a renda precisa acompanhar esse ritmo, já que a aprovação considera que a parcela não ultrapasse 30% da renda bruta. Por isso, manter a vida financeira organizada e a documentação atualizada faz parte do plano desde o início.

O consórcio também é utilizado por quem compra imóvel para construção patrimonial. Em muitos casos, o aluguel cobre a parcela no início. No entanto, como as parcelas são corrigidas pelo INCC, elas tendem a subir ao longo do tempo. O aluguel também sobe, mas não necessariamente no mesmo ritmo. Esse descasamento pode exigir complementação com recursos próprios. Considerar esse cenário desde o início ajuda a evitar surpresas.

Na prática, o consórcio costuma funcionar melhor para quem precisa transformar o compromisso mensal em disciplina de construção patrimonial. Mas, além dos custos e das correções, existe um ponto que nunca pode ser ignorado: o tempo. Ninguém consegue ter certeza de quando será contemplado. Pode acontecer rápido ou demorar anos.

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