Escolha da profissão ainda é desafio para a maioria dos jovens
Pesquisa ouviu jovens entre 15 e 25 anos que apontaram dúvidas na hora de decidir o que cursar, mas disposição em mudar a trajetória
Escolher qual profissão seguir ainda é um dos momentos mais desafiadores da juventude. Entre sonhos, expectativas familiares e as mudanças do mercado, muitos jovens se sentem inseguros para tomar essa decisão.
Uma pesquisa realizada pela Empresa Júnior da Universidade de Vila Velha (EJUVV) em parceria com A Tribuna, mostrou que apesar de 79,3% dos jovens entre 15 e 25 anos terem feito uma escolha, 61,2% já mudaram de opinião no meio desse processo.
A psicóloga Érica Canal, especialista em orientação profissional, diz que é comum que os jovens cheguem perdidos no consultório. Porém, ela vê isso com bons olhos.
“A minha maior preocupação é com aquele jovem que já chega com muitas certezas, mas ainda não pesquisou muito sobre a área. Isso porque há grandes chances dele estar repetindo expectativas da família ou escolhendo com base apenas no que dá dinheiro ou no que está em alta.”
A pesquisa revelou ainda que a escolha da profissão costuma ser acompanhada por pressão. Entre os 100 jovens ouvidos, 56% afirmaram ter se sentido pressionados durante o processo.
Apesar de incômoda, essa sensação é algo natural. A psicóloga diz que nessa fase, o jovem ainda está construindo sua identidade.
“Muitas vezes, o jovem consegue dizer qual curso gostaria de fazer, mas ainda está descobrindo quais são seus interesses e o tipo de vida que deseja”, diz Érica.
Nesse processo, mais do que buscar a profissão ideal, é importante que o jovem desenvolva autoconhecimento e amplie informações sobre o mundo do trabalho, segundo a psicóloga Luana Câmara, especialista em orientação profissional.
“É importante que esse jovem tome consciência do mundo real. O jovem precisa aprender a refletir e tomar decisões de forma mais consciente e autônoma.”
Segundo ela, um dos pontos cruciais é pesquisar. “Pesquisar o mercado, a grade curricular dos cursos, conversar com profissionais e entender a rotina da profissão ajuda a reduzir idealizações e aproxima a escolha da realidade”.
Além disso, entender as exigências do mercado é algo indispensável. Em um cenário marcado pela tecnologia, a mentora de carreira e liderança Cinara Uliana reforça a necessidade de demonstrar curiosidade e vontade de aprender, além dos conhecimentos técnicos.
“Essas características ajudam esse jovem, que chega com menos experiência, a se destacar.”
Mudança
Após ingressar no curso de Engenharia Elétrica na Ufes, em 2022, o estudante Eduardo Ferraz, 23 anos, descobriu que sua área de interesse era, na verdade, a computação. Eduardo decidiu mudar de curso. Hoje, aluno de Ciência da Computação, ele se sente realizado. “Foi um passo para trás para dar dois para frente”.
Avaliando opções
Mesmo após pesquisas, a estudante Valentina Lacerda, 18 anos, não decidiu a profissão que vai seguir.
Interessada pela área de humanas, ela considera cursos como Relações Internacionais, Ciências Sociais e Letras.
A estudante afirma que busca uma profissão alinhada aos seus valores e que tenha um impacto positivo na sociedade. “Quero construir uma trajetória que tenha significado para mim”.
Entenda a pesquisa
Metodologia
Elaborada em parceria entre a Empresa Júnior da UVV (EJUVV)e o jornal A Tribuna, a pesquisa Orientação Profissional e Escolha de Carreira ouviu 100 jovens entre 15 e 25 anos, nos dias 2 e 3 de maio.
1. Você já decidiu qual curso ou profissão deseja seguir?
- Sim - 79,3%
- Não - 20,7%
2. Você considera que escolher uma profissão é ou foi uma decisão difícil para você?
- Sim - 66,4%
- Não - 20,7%
- Ainda não tomei essa decisão - 12,9%
3. Se já escolheu uma profissão, qual é o seu nível de certeza sobre essa decisão?
- Tenho certeza, mas ainda tenho algumas dúvidas - 44%
- Tenho certeza e não pretendo mudar - 28,4%
- Ainda não escolhi - 18,1%
- Tenho muitas dúvidas - 8,6%
- Pretendo mudar de área - 0,9%
- mudou de ideia sobre a profissão que pretende seguir - 61,2%
- Humanas - 44%
- Exatas - 32,8%
- Biomédicas - 23,3%
5. O que mais influenciou ou influencia sua escolha profissional?
- Aptidões e habilidades pessoais - 56,9%
- Pesquisa sobre salário/status - 18,1%
- Meus pais - 8,6%
- Testes vocacionais e pesquisas sobre profissões - 7,8%
- Meus amigos - 1,7%
6. Se ainda não escolheu uma profissão, qual é o principal motivo?
- Dúvida entre várias opções - 47,4%
- Medo de me arrepender - 30,2%
- Falta de informação sobre as profissões - 11,2%
- Preciso de ajuda profissional para decidir - 6%
- Não quero fazer faculdade ou curso técnico - 1,7%
7. Qual é o seu maior medo ao escolher uma profissão?
- 28,4% Ter baixa remuneração
- 27,6% Não gostar da área
- 20,7% Escolher a profissão errada
- 14,7% Não tenho essa preocupação
- 6% Não conseguir emprego
- 2,6% Não corresponder às expectativas da minha família
8. Você se sente pressionado a decidir sua profissão?
- Sim - 56%
- Não - 44%
9. O que você mais deseja para o seu futuro profissional?
- Ter qualidade de vida e equilíbrio pessoal - 31%
- Ter estabilidade financeira - 30,2%
- Trabalhar com algo que eu gosto - 15,5%
- Construir uma carreira de destaque - 7,8%
- Montar o meu próprio negócio - 4,3%
- Conseguir trabalhar em uma grande empresa - 2,6%
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