Médicos vão usar inteligência artificial contra falsos profissionais
Ferramenta vai monitorar redes sociais e ambientes digitais em busca de irregularidades no exercício da medicina
Profissionais sem habilitação médica que se passam por médicos na internet, anunciam especialidades de forma irregular ou divulgam procedimentos sem respaldo técnico passarão a ser rastreados por uma nova plataforma de inteligência artificial lançada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
A ferramenta, lançada ontem durante coletiva de imprensa, será usada pelos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) para monitorar redes sociais e ambientes digitais em busca de irregularidades no exercício da medicina.
O sistema faz parte de uma estratégia nacional de fiscalização que, segundo o CFM, busca aumentar a capacidade de identificação de falsos médicos e agilizar a resposta a denúncias e suspeitas envolvendo o exercício ilegal da profissão.
Segundo o 3º vice-presidente e head do Departamento de IA do CFM, Jeancarlo Cavalcante, a plataforma vai atuar como apoio direto aos conselhos regionais e fará varreduras automatizadas na internet e redes sociais.
“A plataforma vai rastrear as redes sociais, por exemplo, em busca de falsos médicos, em busca de médicos que sofreram violência. Vai fazer uma análise preliminar e, obviamente, terá que ser validada por alguém do departamento de fiscalização. Cada conselho vai usar a plataforma para a sua jurisdição, para a sua área de atuação.”
A ferramenta, segundo Jeancarlo, também poderá cruzar dados com órgãos públicos e bases oficiais, como plataformas da Receita Federal e do Ministério Público.
Além de identificar falsos médicos, o novo sistema também poderá identificar médicos que anunciam especialidades sem registro adequado.
“Automaticamente, a plataforma vai 'pegar' o CRM que o médico está anunciando, cruzar com os dados do conselho e identificar que aquele médico não é especialista naquilo que ele propaga.”
Em casos de irregularidades cometidas por médicos, Jeancarlo informou que a primeira medida é uma orientação pedagógica. “Se o profissional persistir nas infrações, ele pode responder a um processo ético-profissional”.
Já quando se trata de pessoas sem formação médica exercendo ilegalmente a medicina, o caso é encaminhado diretamente à Justiça comum.
Antes de a nova plataforma entrar em operação plena, os conselhos regionais passarão por treinamento, e a previsão é de implementação nas próximas semanas.
Saiba mais
Plataforma
A ferramenta de inteligência artificial, segundo o Conselho Federal de Medicina, é para ajudar os Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) na fiscalização da atividade médica em todo o País. Todas as informações encontradas pela ferramenta precisarão passar por análise humana.
Entre as principais funções estão: identificação de falsos médicos, casos de exercício ilegal da medicina, publicidade médica em desacordo com as regras éticas, também poderá ajudar a combater a violência contra médicos e apontar condições inadequadas de trabalho.
O sistema começará a ser disponibilizado gradualmente para os CRMs, acompanhando um cronograma de treinamento e capacitação.
Fonte: CFM.
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