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PAPO DE FAMÍLIA

Quem cuida da saúde mental do professor?

Saúde mental dos educadores exige atenção diante da sobrecarga emocional nas escolas

Cláudio Miranda | 08/06/2026, 12:29 h | Atualizado em 08/06/2026, 12:29
Papo de Família, por Cláudio Miranda

Cláudio Miranda

Claudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP


          Imagem ilustrativa da imagem Quem cuida da saúde mental do professor?
Cláudio Miranda é da Diretoria da ATEFES (Associação de Terapia Familiar do ES), Terapeuta de Família, Psicopedagogo Clínico, Pós-graduado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto USP. |  Foto: Reprodução/Jornal A Tribuna

A saúde mental é uma preocupação em todas as áreas do conhecimento e nas relações interpessoais. No ambiente escolar essa demanda é assustadora tanto quando se fala dos alunos e suas famílias, como quando se refere à saúde mental do professor.

Independente da classe social, cada aluno traz um drama de vida para a sala de aula e é o professor quem fica na linha de frente, tendo que se desdobrar em múltiplas funções, além de ensinar o conteúdo.

Na escola pública essa dor e desestrutura dos alunos são mais intensas, mas cada família traz em si um drama de vida o qual o professor é um dos primeiros profissionais a se deparar com o problema.

Escola não é clínica e professor não é terapeuta. Mesmo assim, há uma cobrança muito grande por parte da equipe técnico administrativa da escola e dos pais para que ele assuma determinadas funções que não são da sua competência profissional.

Vivemos numa época em que há uma imensidade de alunos laudados com inúmeras recomendações para atendimentos diferenciados, como provas adaptadas, tempo de avaliação expandido, sentar à frente, local de avaliação diferente da sala de aula, etc.

Muita coisa é possível se fazer com a ajuda da equipe pedagógica, mas outras tantas situações as famílias deveriam buscar ajuda com profissionais fora da escola como: psicopedagogos, fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas, médicos.

Se formos identificar o problema de cada aluno, certamente iremos nos deparar com aquele em que o pai ou a mãe já faleceu. O pai que bebe ou tem outros vícios.

Tem aquele aluno que já foi ou é abusado sexualmente. Os que os pais estão desempregados. Aquele que não se sente amado. O que é cobrado demais.

Há situações em que o pai bate na mãe. Em que o aluno só come na escola. Tem um problema grave de aprendizagem, ou aqueles filhos em que, apesar da boa condição financeira, os pais não têm tempo para eles e outros tantos casos mais de desajustes familiares.

Tudo isso se torna um peso muito grande para o professor que também tem a sua própria dor e seus dramas de vida.

Há uma demanda crescente de ajuda e suporte ao trabalho diário do professor. Ele é o cuidador por excelência, mas quem cuida do professor?

O índice de adoecimento do professor é grande e tende a aumentar cada vez mais. Existe os que passam por problemas físicos e outros que apresentam sinais evidentes de esgotamento e comprometimento da saúde mental.

As escolas e as instituições precisam criar estratégias e programas de apoio ao professor, principalmente o emocional.

Para uma vida mais saudável, o professor deveria ter acesso à terapia e ter um momento só dele, no qual pudesse falar de si, da sua dor, dos seus anseios e das suas frustrações.

Isso seria uma grande ajuda favorecendo uma melhor saúde mental. O nosso cuidador está ferido e precisa ser cuidado.

Há escolas em que o ambiente é extremamente danoso à saúde emocional dos professores, muitos pedem afastamento por não suportarem o nível de exigência psíquica que o seu cargo demanda.

É preciso desenvolver um projeto de saúde mental para o educador no ambiente escolar, para aliviar o impacto do seu trabalho sobre o estado psicológico.

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