Quando a depressão chega na escola
Alta de casos entre jovens reforça a importância do apoio à saúde mental nas escolas
Cláudio Miranda
Claudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP
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A depressão tem sido cada vez mais o grande tema quando se fala em saúde mental. Infelizmente, ela tem aumentado e está crescendo o número de casos na infância e adolescência.
O transtorno depressivo é caracterizado por tristeza, apatia e irritabilidade suficientemente graves e persistentes a ponto de interferir na atividade normal ou provocar um distúrbio considerável nas relações diárias.
É comum vermos jovens abandonando seus estudos e empregos por conta da depressão. Ela desencadeia todo tipo de desordem física e emocional ocasionando comportamentos ruins, autodestrutivos e desequilibrantes. Também surgem sintomas como: solidão, afastamento social, tristeza, baixa autoestima, choro frequente, apatia, desânimo e falta de projetos.
A depressão paralisa o estudante a ponto de largar coisas importantes como o estudo. Num quadro depressivo ele perde cada vez mais o interesse por atividades que antes exercia e gostava.
A vida escolar de um jovem, nesse caso, pode ser tristemente abalada. Não há motivação para os estudos.
A visão de um futuro promissor a ser conquistada pelo empenho acadêmico perde completamente o sentido e o interesse.
É preciso traçar planos e criar estratégias para identificar sintomas nas escolas. A equipe técnico-pedagógica, ainda que não seja especialista em saúde mental, perceberá mudanças comportamentais em determinado aluno, bem como a queda de rendimento e oscilações de humor marcantes.
Nesses casos, os pais deverão ser chamados à escola e orientados a buscar ajuda médica e terapêutica para seu filho. Algumas vezes a própria família precisará receber orientações especializadas de como ajudar o filho numa situação como essa.
As escolas que criarem estratégias de suporte de saúde mental aos seus alunos ganharão um grande destaque e respeito das famílias em querer seus filhos estudando e sendo protegidos naquele ambiente. A depressão é uma realidade que não pode ser negada.
As pesquisas mostram um aumento progressivo dessa doença no mundo todo, atingindo crianças e adolescentes, além dos adultos.
A saúde mental é, atualmente, a maior preocupação das pessoas em todos os países. Projetos de apoio e promoção de uma vida saudável aos alunos precisarão ser desenvolvidos no ambiente escolar.
O problema da depressão tem causas diversas que contribuem para o seu surgimento ou agravamento. No ambiente escolar e familiar podem haver determinadas atitudes nos relacionamentos que agravarão ou amenizarão o impacto da doença que se manifesta no aluno.
Na escola, a saúde emocional de um aluno pode ser agravada pelo alto índice de cobrança e pelo excesso de tarefas escolares.
Se houver uma boa relação da escola e dos professores com os alunos isso poderá melhorar muito. Muitas escolas já começam a esboçar projetos de ajuda psicoafetiva e emocional ao estudante e um programa regular de palestras e apoio aos pais.
Essas ações podem ser de grande ajuda e diminuição do impacto da doença, uma vez que a escola é um local em que o aluno hoje passa grande parte do seu tempo.
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