Governo vai dar crédito para compra de motos
Foco da proposta serão os entregadores, que vão ter condições facilitadas para comprar ou substituir veículos
O governo federal deve lançar uma nova linha de crédito para financiar a compra de motos voltada a entregadores. O tema foi discutido em reunião na última segunda-feira entre o chefe do Executivo e ministros da área econômica e confirmado pela ministra Miriam Belchior, da Casa Civil.
A iniciativa mira principalmente a aquisição de motocicletas por jovens sem vínculo formal de emprego. A proposta ainda não tem verba anunciada e deverá passar por regulamentação.
Entregadores e setor veem alívio de custos e impulso ao mercado
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Aplicativos (Sintappes), Gessé Gomes, a medida é positiva e deve aliviar gastos do trabalhador por aplicativo.
“No modelo de locação de moto, você paga um valor alto. Essa medida vai ajudar muitas famílias”, comenta.
Segundo ele, seria interessante a medida também incluir as bicicletas elétricas, que também são utilizadas por entregadores.
Já o diretor-executivo do Sindicato das Concessionárias (Sincodiv/ES), José Francisco, afirma que a expectativa é de que, após regulamentação, a medida provoque alavancagem no mercado. Ele avalia que a demanda está reprimida e que consumidores aguardam a liberação do crédito, deixando de comprar agora para adquirir com financiamento mais barato depois.
Economista alerta para risco de endividamento
O economista Vaner Corrêa, conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), considera o novo subsídio positivo, mas ressalta que ele pode resultar em endividamento.
“A gente está fomentando o consumo com o que os economistas chamam de 'voo de galinha', abrindo linhas de crédito que podem ter no futuro esse efeito deletério, em que a pessoa não tem condições de arcar com o financiamento”, comenta.
A linha de crédito para motocicletas vem semanas após o lançamento do Move Brasil para táxis e motoristas por aplicativo, voltado ao financiamento de automóveis para renovação de frota, com uma linha de crédito de R$ 30 bilhões.
Segundo o IBGE, o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024. Desse total, 58,3% (ou 964 mil) exerciam o trabalho principal por meio de aplicativos de transporte, incluindo os de táxi.
Por que o governo considera a linha para motos “mais barata”
O diagnóstico do governo é que o preço de uma motocicleta é menor do que o tíquete médio de um carro e, por isso, a medida tende a custar menos do que o Move Aplicativos, facilitando o lançamento da nova linha para essa categoria.
Enquanto o Executivo precisou autorizar um financiamento de até R$ 150 mil na linha para motoristas, um crédito de R$ 10 mil a R$ 20 mil pode ser suficiente para entregadores adquirirem uma moto, mesmo que seja um modelo elétrico. Além disso, o governo analisa que o número de motoristas por aplicativo é maior do que o de entregadores, o que também reduziria o público potencial.
A ideia é restringir a política a uma compra por CPF. A linha para entregadores é um desejo do presidente desde o ano passado e, segundo interlocutores, a reunião de segunda serviu para alinhar os órgãos do governo em torno da apresentação de uma proposta.
Os detalhes seguem em discussão pelos ministérios da Fazenda, Planejamento e do Desenvolvimento. O governo também tem apostado em linhas subsidiadas de crédito para atender diferentes públicos sem impacto relevante nas regras fiscais, como o arcabouço e a meta de resultado primário.
As medidas foram lançadas para socorrer principalmente segmentos impactados pela alta do petróleo.
Mercado de veículos: dados de emplacamentos no ES
No mês de maio de 2026, no Estado, foram vendidos 10.389 veículos de todos os segmentos, contra 10.706 unidades vendidas em abril de 2026, uma queda de 2,96%. Na comparação entre maio de 2026 (10.389) e maio de 2025 (9.783), houve alta de 6,19%.
No acumulado de 2026, foram emplacados 49.995 veículos, contra 43.398 no mesmo período de 2025, um aumento de 15.20%.
Para o presidente do Sincodiv/ES, Augusto Giuberti, “os emplacamentos de veículos mantêm trajetória estável em maio e crescimento acumulado nos primeiros meses de 2026 de 15,20%, afetado pela espera pela liberação das linhas do Move Brasil Aplicativos.
Fonte: Sincodiv/ES.
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