Podcast Histórias Empresariais: novas lojas da Composé em Aracruz e Guarapari
Carlos Marianelli aposta em residências e vê região Norte do Espírito Santo como foco de crescimento econômico e imobiliário
Fundador e sócio-diretor da Composé, Carlos Marianelli revelou que a empresa pretende abrir novas unidades em Guarapari e Aracruz, em um plano de expansão baseado no crescimento do mercado imobiliário horizontal e no avanço econômico de regiões estratégicas do Espírito Santo.
Em Guarapari, a Composé já adquiriu um imóvel próximo ao aeroporto e à nova avenida que será implantada na região. Já em Aracruz, as conversas envolvem uma área entre o centro da cidade e a região da Barra do Riacho, onde fica o Porto da Imetame e será a montadora da GWM no município.
As futuras unidades devem seguir o modelo mais compacto que está sendo testado pela empresa em Vila Velha, com lojas entre 300 e 400 metros quadrados de área.
Marianelli disse acreditar que Aracruz “vai ser a bola da vez do Espírito Santo”, diante dos novos investimentos previstos para a região. A entrevista foi concedida ao programa Histórias Empresariais. Durante a conversa, o empresário destacou o atendimento ao cliente como principal diferencial da Composé.
Segundo ele, a empresa trabalha com desde produtos de entrada até itens de alto valor agregado, mas mantém como prioridade a proximidade com o consumidor e o acompanhamento do proprietário diretamente com a operação.
A Tribuna — Qual é a história da origem e a estrutura atual da Composé?
Carlos Marianelli — A Composé nasceu em 1993, em Santa Lúcia, mas nossa origem está no mercado de madeiras. Em 1981, recém-formado em Engenharia Civil, fui trabalhar com meu pai em um depósito de madeiras.
Com o tempo, percebemos que o mercado caminhava para uma preocupação ecológica maior, e começamos a migrar para material de construção e depois para revestimentos e acabamentos.
Hoje, trabalhamos praticamente só com revestimentos, porcelanatos, louças e metais. Também temos a Revix USA, nos Estados Unidos, e recentemente abrimos a unidade de Vila Velha.
A empresa pretende expandir mais?
Estamos testando um novo modelo de loja em Vila Velha, menor do que a unidade da Leitão da Silva, com cerca de 300 a 400 metros quadrados. O resultado está sendo surpreendentemente bom. Posso adiantar que estudamos futuras unidades em Guarapari e Aracruz.
Em Guarapari já adquirimos um imóvel próximo ao aeroporto e a uma nova avenida da região. Em Aracruz conversamos sobre uma área entre o centro e a região portuária e industrial.
Por que Aracruz chama tanto a atenção?
Porque acredito que Aracruz vai ser a bola da vez do Estado. Existem muitos investimentos previstos para aquela região e precisamos estar atentos ao que vai acontecer.
Nosso principal mercado é o empreendimento horizontal, as casas, e não o vertical, ou seja, prédios. Vitória já tem pouca área disponível e não comporta muito crescimento nesse segmento.
O porcelanato continua o principal produto da Composé?
Sim. É nosso carro-chefe. Louças e metais vêm logo em seguida e representam cerca de 30% do faturamento. O porcelanato evoluiu muito em qualidade e definição. Hoje ele consegue reproduzir pedras naturais com enorme fidelidade, além de ser mais sustentável. No caso das rochas ornamentais, apenas cerca de 20% do material extraído é aproveitado.
Qual a diferença entre porcelanato e cerâmica?
A principal diferença está na absorção de água. A melhor cerâmica tem absorção em torno de 3%. O porcelanato precisa ter no máximo 0,5% para ser classificado dessa forma. Quanto menor a absorção, maior a resistência. Existe uma diferença grande de qualidade, embora a cerâmica também tenha evoluído bastante.
Há novas tendências no setor?
Muitas. Hoje, temos porcelanatos gigantescos, de até 1,60m por 3,20m. Também cresce muito o mercado de vinílicos, principalmente nos EUA. O vinílico clicado, por exemplo, funciona praticamente como um encaixe, sem cola, e permite instalar rapidamente um ambiente inteiro.
Como é a operação nos EUA?
Lá trabalhamos principalmente com porcelanato e atendemos muito os contratistas, que são os profissionais que executam obras para os clientes finais. O mercado americano é muito diferente porque existem grandes players e grandes distribuidores.
Quantos colaboradores trabalham hoje no grupo?
Aproximadamente 100 pessoas. Nosso grande triunfo foi a formação de equipe. Temos colaboradores conosco há cerca de 15 anos.
Como manter profissionais por tanto tempo?
Relação de confiança, sinceridade e presença na operação. Eu conheço toda a rotina porque já entreguei lajota, cimento e carreguei material. Isso ajuda a entender o limite e a realidade do colaborador. Não adianta querer tocar tudo a ferro e fogo. É preciso ter sensibilidade.
Como avalia o momento econômico do Espírito Santo?
O Espírito Santo vive um momento muito positivo, especialmente na construção civil. Vitória e Vila Velha cresceram muito. O Estado passou a ser visto nacionalmente pelos bons números e pela responsabilidade da gestão pública e empresarial. Também considero a mão de obra capixaba mais dedicada. Já tive empresa no Rio de Janeiro e lá é muito mais difícil.
O senhor tem forte atuação em entidades empresariais.
Sim. Sou muito ligado ao sistema associativo. Já fui diretor da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória, estou novamente na presidência da Acomac (Associação dos Comerciantes de Material de Construção do Espírito Santo) e participo de outras entidades do comércio e do setor de material de construção. Essa troca de experiências amplia muito a visão de negócio.
Curiosidades
Paixão pelo Vasco
Mesmo em meio aos anos difíceis do Vasco, Carlos Marianelli diz manter a esperança de ver o clube voltar aos tempos de protagonismo. Vascaíno, ele brincou sobre o sofrimento vivido pela torcida, mas lembrou que o time já teve períodos gloriosos. “Meus filhos perguntam por que sofro tanto”, contou, em tom descontraído, ao falar da relação afetiva construída ao longo da vida com o clube carioca.
Construção civil
Engenheiro civil de formação, Carlos Marianelli mantém atuação direta na construção civil, por meio da Construtec e de outros negócios ligados ao setor.
Segundo ele, o foco atual está na construção horizontal, especialmente casas de alto padrão. O empresário afirmou já ter concluído 10 residências no condomínio Alphaville e hoje conduz seis obras simultaneamente na região.
Perfil
Carlos Marianelli
- Tem 67 anos, é engenheiro civil formado pela Ufes.
- Empresas: Composé, Construtec, Revix, Revix USA.
- Casado, pai de dois filhos e com expectativa de virar avô.
- Descendente de italianos, foi criado em Colatina.
- atua como dirigente em diversas entidades empresariais: Acomac, CDL Vitória, Sincades, Sindmat e Fecomércio-ES.
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