Empreendedorismo: negócios no Espírito Santo atraem investidores estrangeiros
Empresas capixabas de tecnologia, alimentação e bem-estar ganham espaço e atraem interesse de multinacionais e fundos internacionais
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Criar um negócio inovador e fazê-lo crescer a ponto de chamar a atenção de um grande investidor nacional e até mesmo estrangeiros é um dos indicativos de sucesso difundidos no meio corporativo.
E essa realidade já ocorre com empresas de pequeno e médio portes no Estado.
Empreendimentos do segmento wellness — ou seja, voltados ao bem-estar do corpo —, do setor de alimentos, de tecnologia, de serviços, de meio ambiente, de educação, do segmento pet e da comunicação são exemplos de iniciativas empresariais que estão frequentemente sendo visadas.
É o que aponta o especialista em fusões e aquisições Gilvan Badke, sócio-fundador da Emeg.
Os motivos para essa procura são amplos e vão desde a inserção de marcas no mercado local, quanto a busca por soluções já criadas que atendam à necessidade de grandes corporações — evitando empregar recursosno desenvolvimento de tecnologias do zero.
As empresas SuperTicket e Paytime são exemplos capixabas de empreendimentos que começaram do zero e ganharam projeção a ponto de serem vistas como soluções ideais por empresas nacionais líderes de mercado.
No caso da SuperTicket, foi de uma maneira inusitada e informal, conta o fundador da marca, Leonardo Gomes.
“Em um desses eventos eu encontrei o CEO da empresa e me apresentaram ele. A gente bateu um papo rápido e, nesse momento, ele comentou que eles estavam buscando uma tiqueteira (empresa de tecnologia de ingressos) de eventos para comprar. Eu falei: 'cara, vamos conversar sobre...' E aí ele pediu o contato do meu irmão, na época CEO”, relata.
A empresa foi adquirida pela Zig, líder do segmento de eventos ao vivo, que opera a Zig Tickets. E o irmão, após a venda, permanece no corpo societário da empresa.
Um tempo depois, Gomes fundou a Paytime e acabou passando por um processo semelhante.
“A gente já tinha uma certa relevância no mercado e muita gente começou a procurar para falar de M&A (Fusão e Aquisição, em inglês). Então a gente contratou uma assessoria. O CEO da Bemobi me procurou no LinkedIn”.
O “deal”, ou seja, a transação de compra — feita em parcelas — com a multinacional pode chegar a R$ 300 milhões, diz Gomes.
Solução para a educação
Os 1.500 tipos de jogos criados pela startup capixaba Jade Autismo chamaram a atenção de investidores de capital de risco da Califórnia, nos Estados Unidos. É o que conta o fundador da empresa, Ronaldo Cohin.
A “500 Startups” aplicou recursos que foram utilizados para ampliar o alcance internacional da empresa, que atua hoje com governos e instituições privadas do Brasil, Reino Unido, Portugal e Emirados Árabes Unidos — e está em fase de recebimento de um prêmio de 1 milhão de dólares dos EAU.
Chineses de olho no frango
Visando garantir o abastecimento do país em setores de grande importância e crescimento, como a construção civil e a alimentação, a China tem observado produtores capixabas e planejado investir dinheiro no aumento e melhoria da produção.
É o caso de dois frigoríficos — um deles em Santa Maria de Jetibá — que podem receber aporte financeiro e maquinário para garantir estoques de pé de frango, bastante valorizado na culinária chinesa devido à concentração de colágeno na pele e cartilagem.
Embora ainda não concretizados, os investimentos estão na mesa de negociações e podem trazer “milhões de dólares” para produtores locais, diz o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Carlos Eiras.
“Isso só não aconteceu porque o empresário daqui ainda não concluiu o estudo técnico para mostrar para os chineses”.
Eiras explica que o interesse dos investidores chineses é de fornecer equipamentos e recursos e, em troca, firmar contratos de longo prazo para permitir uma segurança do abastecimento desse produto.
“Em média, o chinês põe o equipamento e aplica dólares para capital de giro que permitem uma capacidade maior de produção. Ele tem na China uma negociação mais flexível e não dói nem para o chinês e nem pro empresário aqui”.
Outros países do mercado asiático também buscam negócios no Brasil, como o Vietnã, a Indonésia e a Malásia.
Fundo de Nova Iorque
A startup de softwares para gestão de restaurantes Yooga Tecnologia recebeu recursos de um fundo dos Estados Unidos para financiar o aumento do time de desenvolvedores, melhorar os produtos e permitir a intensificação do “go to market”, conta Vinícius Melo, CEO da empresa. A Gilgamesh, fundo focado em fintechs, foi a aportadora dos recursos. Ele conta que procurou o investidor e construiu um relacionamento 100% digital.
Comprada por gigante
Empresa “100% bootstrapping”, ou seja, desenvolvida apenas com recursos próprios, a capixaba SuperTicket, dos irmãos Leonardo Gomes e Plínio Escopelle, foi vendida em 2023 para a gigante Zig Ticket. E o processo foi diferente do glamour esperado, conta Gomes: “Encontrei o CEO em um evento, a gente bateu um papo rápido e ele pediu meu contato. Foi bem informal”, conta.
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