Vem aí o exame de sangue capaz de detectar depressão
Estudo aponta que genes fora do sistema nervoso estão ligados à doença e reforça que o transtorno envolve todo o organismo
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Um estudo desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) abre caminho para a criação de um exame de sangue capaz de detectar a depressão. A expectativa é de que ele seja desenvolvido em uma espécie de kit, com o qual será possível comparar o sangue de pacientes com e sem o transtorno.
Cientistas identificaram, fora do sistema nervoso, genes que podem distinguir pacientes com depressão de indivíduos sem o transtorno — e que podem, no futuro, ser usados como bioindicadores do tipo e do estágio da doença em pacientes de diferentes idades.
Para Otávio Cabral Marques, professor da USP e coordenador da pesquisa, a descoberta pode auxiliar na detecção do transtorno antes que a doença se agrave.
“O grande objetivo é o diagnóstico precoce, antes que o paciente se torne disfuncional. Estes exames podem comparar o sangue de uma pessoa com depressão e o de outro paciente sem o transtorno, para identificar a doença”.
Segundo ele, os resultados reforçam uma tese consolidada no meio científico: sintomas depressivos vão além da saúde mental. “A depressão não é só um problema do cérebro, ela envolve o organismo como um todo”.
O grupo, agora, busca ampliar o número de análises e também firmar parceria com uma empresa farmacêutica para iniciar o desenvolvimento do teste, que seria o primeiro do tipo no mundo.
“Queremos incluir outros transtornos, para poder diferenciar pacientes com diferentes doenças. O que estamos fazendo é juntar peças de um quebra-cabeça que, antes, eram analisadas de forma separada”, conclui Otávio Cabral Marques.
Essa visão sistêmica do transtorno pode, também, abrir espaço para uma nova abordagem no tratamento da depressão.
Para o psiquiatra Valdir Campos, com um exame capaz de detectar a doença, surge também a possibilidade de tratar a inflamação no cérebro, que é a causadora do problema, de forma mais eficaz.
“Tendo biomarcadores que indiquem a inflamação, é possível prever o risco de depressão e também o tratamento. Podemos ter uma melhor abordagem terapêutica para os pacientes, seja com o uso de antidepressivos ou até mesmo com anti-inflamatórios”, destaca.
Fique por dentro
Estudo com mais de três mil amostras
Análises
O estudo desenvolvido na USP analisou mais de três mil amostras de sangue de bancos públicos dos Estados Unidos, da Alemanha e da França.
Durante a análise, pesquisadores mapearam e identificaram genes alterados no sistema imunológico de pacientes com depressão.
Os mesmos genes associados ao transtorno estão ligados a outras doenças, como bipolaridade, psicoses, ansiedade, hipertensão, doenças arteriais e inflamatórias, incluindo psoríase.
Mapeamento
O mapeamento também apontou conexões entre a depressão e sintomas gastrointestinais, disfunção erétil e complicações relacionadas ao coronavírus.
De acordo com o coordenador do estudo, a descoberta reforça que as moléculas responsáveis pela depressão estão presentes em outras partes do corpo, para além do sistema nervoso.
Segundo psiquiatras, este caráter sistêmico do transtorno é o causador de outros sintomas em pacientes depressivos — que relatam dores, inflamações cutâneas ou perda de apetite, por exemplo.
Resultados
Os resultados também abrem caminho para tratamentos que abordem a inflamação para aliviar sintomas depressivos, incluindo o uso de medicamentos anti-inflamatórios.
A partir do estudo, pesquisadores podem, no futuro, desenvolver um exame de sangue que detecte a depressão de forma precoce.
O exame pode ser desenvolvido em uma espécie de kit, com o qual será possível comparar o sangue de pacientes com e sem o transtorno.
O teste poderá, ainda, identificar o tipo e o estágio do transtorno em pacientes de diferentes idades.
Fonte: Especialistas e pesquisa AT.
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