Cresce o número de infartos em pessoas com menos de 30 anos
Os números de internação e morte entre jovens de 20 a 29 anos são os que mais cresceram nos últimos 2 anos no Estado
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Conhecido por ser uma condição associada a pessoas idosas, o infarto tem sido cada vez mais frequente entre os jovens. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sesa) revelam que, em 2025, 86 pacientes com idades entre zero e 39 anos foram internados por esse motivo e 29 morreram.
O assunto ganhou destaque após a morte da miss Maiara Cristina de Lima Fiel, aos 31 anos, vítima de um infarto fulminante. O caso aconteceu no último domingo em Sarandi, cidade localizada no Norte do Paraná.
Maiara passou mal em casa e foi socorrida por uma equipe do Samu. Os médicos que atenderam a miss relataram que ela não tinha histórico de problemas cardíacos. A jovem tinha sido eleita 1ª Princesa Miss Londrina 2025 e se preparava para participar de outro concurso de beleza no final deste mês.
Especialistas afirmam que alguns hábitos comuns entre os jovens podem explicar o crescimento no número de casos.
O cardiologista da Rede Meridional, Melchior Luiz Lima, destaca o cigarro eletrônico, o uso de drogas e a suplementação de hormônios sem prescrição médica, a exemplo do chamado “chip da beleza” e dos esteroides anabolizantes.
“A alimentação e o sedentarismo também estão ligados ao aumento dos riscos, principalmente quando o indivíduo tem histórico de doenças cardíacas na família”, pontua.
“Esse cenário mostra um aumento da prevalência de infartos no Brasil”, afirma Diogo Barreto, coordenador do serviço de cardiologia do Hospital Evangélico de Vila Velha.
A cardiologista da Unimed Vitória, Carolina Lugon, explica que o infarto é causado pelo entupimento das artérias que levam o sangue para o coração.
“Essa obstrução acontece devido à formação de placas de gordura nas paredes das artérias, associadas ao aumento do colesterol no sangue”.
A médica relata ainda que tem atendido cada vez mais esse tipo de caso em seu consultório.
“O que se percebe é uma mudança no perfil de risco para a doença”.
O médico especialista em Cardiologia e referência técnica da Gerência de Políticas e Organização de Redes de Atenção à Saúde (Geporas), da Sesa, Aldo Lugão de Carvalho, afirma que o tratamento para jovens e idosos é bem semelhante.
“As poucas diferenças são causadas pela investigação das causas. Entretanto, a busca por um tratamento e a mudança de hábitos são válidas para todas as idades”, alerta.
Artéria entupida
“Recebi uma segunda chance”
O empresário e piloto de kart André Vargas teve um infarto aos 40 anos. Ele conta que sempre foi muito ativo, porém nunca tinha feito exames para checar a saúde do coração, cenário agravado pelo alto colesterol e pelo histórico familiar. Ele passou mal enquanto andava de bicicleta e descobriu que estava com 97% de uma artéria do coração entupida. André fez uma cirurgia e se recuperou. “É possível retomar a vida e ter outra chance após um problema cardíaco”.
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