Guerra ameaça produção de hélio e é risco para a oferta de celulares e carros
Subproduto do processamento de gás natural, o insumo é essencial para a indústria de semicondutores
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Aguerra no Oriente Médio completou um mês ontem e, com a continuidade do conflito, analistas passaram a alertar para um possível efeito colateral: o risco de escassez de hélio.
Subproduto do processamento de gás natural, o insumo é essencial para a indústria de semicondutores e, em último caso, poderia afetar a oferta de produtos como celulares e carros, que dependem de chips.
A informação foi publicada pelo jornal The New York Times e repercutida no Brasil por O Globo. Atualmente, a produção de hélio é concentrada em poucos países, com destaque para Estados Unidos e Catar, alguns deles localizados na região ou dependentes de rotas afetadas pelo conflito.
“Se houver uma restrição na produção, o primeiro impacto tende a ser na oferta de veículos, celulares e outros eletrônicos. Todos eles utilizam, em maior ou menor grau, semicondutores”, destaca o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão.
Ele aponta que não deve haver um desabastecimento, mas um movimento que pode reduzir a fluidez das cadeias globais e chegar ao consumidor na forma de preços maiores.
“O hélio hoje é fundamental para a produção de semicondutores, como chips, e, diferentemente do silício, não pode ser reaproveitado e não é facilmente encontrado na natureza”, acrescenta o especialista em Segurança da Informação e professor da UCL, João Paulo Machado Chamon.
Mas ele tampouco acredita que os efeitos de uma eventual escassez serão sentidos tão cedo, já que as empresas costumam trabalhar com estoques.
“Não é algo que vai faltar de um dia para a noite. Os chips que chegam ao mercado hoje já foram produzidos há tempos. Quando você compra um carro elétrico, ele já está no Brasil há mais de um ano”, explica.
Se o conflito se prolongar, o impacto tende a ser assimétrico e silencioso, aponta Lucas Portela, doutor em relações internacionais. “Diferente de choques energéticos clássicos, o hélio não gera impacto imediato no consumidor final, mas atua como um gargalo invisível em cadeias de alto valor agregado”.
Ao New York Times, analistas fizeram a mesma ressalva e apontaram que a escassez pode levar meses ou até anos para ser sentida pela indústria de chips.
“Há um tsunami vindo, mas continua a mil quilômetros da costa”, disse Phil Kornbluth, consultor da indústria do gás, ao jornal americano. “Por enquanto, ainda está ensolarado na praia”, diz.
Entenda
Efeitos da guerra no Oriente Médio
Guerra
O conflito no Oriente Médio tem causado efeitos negativos na economia global. O pétroleo, por exemplo, tem registrado alta diante de riscos ao transporte na região, como no Estreito de Ormuz.
Mas especialistas também observam outros insumos que dependem dessa rota ou de países ligados ao conflito, como fertilizantes e hélio.
Hélio
Trata-se de um insumo estratégico para a indústria de semicondutores, como chips, utilizado em etapas de resfriamento, controle de vazamento e processos de alta precisão. Os chips, por sua vez, estão presentes em diversos produtos, de celulares a sistemas de inteligência artificial.
Consequência
O prolongamento do conflito pode se tornar um gargalo em cadeias de produção de alto valor, explica Lucas Portela, doutor em relações internacionais. “O efeito mais relevante não será uma crise generalizada, mas uma sequência de atrasos, encarecimento de tecnologias e restrições produtivas em setores estratégicos, especialmente semicondutores, equipamentos médicos e pesquisa científica”.
No Espírito Santo, Ricardo Paixão explica que a economia capixaba é “muito aberta ao comércio exterior”, estando acima do patamar nacional, e, por isso, mais sensível a flutuações externas, como as provocadas por conflitos internacionais.
Fontes: pesquisa AT e especialistas ouvidos.
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