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A Guerra no Irã pode afetar a inflação e o seu poder de compra

Conflito no Oriente Médio já pressiona petróleo e fertilizantes, e pode elevar inflação, exigindo atenção ao orçamento familiar

RODRIGO LAUAR | 27/03/2026, 12:58 h | Atualizado em 27/03/2026, 12:58
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          Imagem ilustrativa da imagem A Guerra no Irã pode afetar a inflação e o seu poder de compra
Rodrigo Lauar é mestre em Contabilidade |  Foto: Divulgação

O conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no fim de fevereiro de 2026, já ultrapassa três semanas, e especialistas confirmam que ele trará impactos severos sobre a economia mundial. Aqui no Brasil, temos sido bombardeados pelas notícias, apenas. Assim como se tem falado sobre a série de feminicídios, demonstrando a necessidade de políticas públicas e de maior proteção às mulheres, temos visto diariamente ataques, destruição e movimentos estratégicos envolvendo esses três países e seus aliados.

Em estudos de psicologia, especialistas descrevem um fenômeno chamado Viés de Distanciamento Psicológico: a tendência do cérebro não tratar com a mesma gravidade um risco que parece distante. Quando algo acontece longe de nós, tendemos a percebê-lo como menos urgente ou real. É provável que seja exatamente isso o que acontece com muitos leitores. Percebemos que é algo relevante, mas sentimos como se não nos afetasse, afinal, está se desenrolando do “outro lado do mundo”.

A intenção aqui não é gerar medo, mas sinalizar possíveis impactos diretos em nossa realidade, para que possamos nos organizar e buscar alternativas que minimizem os efeitos sobre nossa qualidade de vida.

Um ponto central são as interrupções no Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde escoam cerca de 20% do petróleo mundial. Os preços já atingiram máximas históricas, e a Agência Internacional de Energia (AIE) classificou a situação como a maior disrupção de oferta já registrada. Embora o Brasil seja produtor de petróleo, pratica a paridade de preços internacionais e importa derivados como diesel e nafta. Isso significa que a alta global se reflete diretamente no que pagamos no posto e no frete que movimenta nossa economia.

Igualmente relevante, cerca de 33% do comércio global de fertilizantes por via marítima passa pelo mesmo Estreito. O Brasil é altamente dependente da importação do insumo, sendo que quase metade dos fertilizantes que utilizamos transita por essa rota, o que nos torna especialmente vulneráveis. A interrupção impacta diretamente a produção agrícola e, consequentemente, o preço dos alimentos.

Esses dois fatores apontam para um período inflacionário à frente. Agravando o cenário, os salários costumam ser reajustados com base na inflação dos últimos 12 meses, que estava relativamente controlada em comparação com os picos recentes. As famílias receberão reajustes menores enquanto enfrentarão custos mais altos. O resultado direto é a perda do poder de compra: o mesmo salário passará a comprar menos.

A recomendação para esse momento é rever o orçamento familiar, reduzir o consumo no que for possível, adiar projetos de curto prazo e ajustar o fluxo de caixa. Dos gastos com alimentação, moradia e transporte às metas imediatas, quanto mais consciente for o controle financeiro agora, menor será o impacto no dia a dia.

Todo ciclo econômico é passageiro. O que podemos fazer é nos preparar para atravessá-lo da melhor maneira possível.

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