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TRIBUNA LIVRE

Novas relações de trabalho e os impactos no setor de foodservice

Avanço dos aplicativos de delivery amplia emprego, renda e inclusão, com impacto positivo até na redução da criminalidade

Rodrigo Vervloet | 24/03/2026, 13:13 h | Atualizado em 24/03/2026, 13:13
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          Imagem ilustrativa da imagem Novas relações de trabalho e os impactos no setor de foodservice
Rodrigo Vervloet é presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Espírito Santo (Sindbares/Abrasel ES) |  Foto: Divulgação

As transformações nas relações de trabalho já não são uma tendência distante; são uma realidade concreta que redefine a dinâmica econômica e social das cidades. O avanço das plataformas digitais, especialmente no setor de delivery, ampliou o acesso ao mercado de trabalho e trouxe efeitos que extrapolam a geração de renda, alcançando áreas como inclusão social e segurança pública.

Estudos recentes ajudam a dimensionar esse impacto. Pesquisa conduzida pela economista Isadora Frankenthal, do MIT, aponta que a expansão de plataformas de entrega está associada a uma redução significativa da criminalidade em cidades brasileiras. Em municípios onde plataformas como o iFood passaram a operar, a queda média foi de 10,4%, podendo chegar a 26% em determinados contextos. O efeito é ainda mais expressivo em crimes não violentos e em regiões mais vulneráveis, onde a oferta de oportunidades de trabalho tende a produzir maior impacto social.

Resultados semelhantes foram observados em estudos realizados na Europa, como na França, reforçando a hipótese de que a ampliação do acesso ao trabalho, especialmente com baixa barreira de entrada e flexibilidade, atua como fator inibidor da criminalidade. Ao gerar alternativas de renda para populações historicamente excluídas do mercado formal, essas plataformas contribuem para reduzir situações de vulnerabilidade que alimentam ciclos de informalidade e violência.

Do ponto de vista econômico, os números também são relevantes. Entre 2022 e 2024, o número de entregadores ativos cresceu 18%, segundo levantamento do Cebrap. Em 2023, o setor contribuiu para a criação de mais de 900 mil postos de trabalho no Brasil, o equivalente a quase 1% da população ocupada. Além disso, a renda bruta média dos entregadores apresentou crescimento real no período, superando a inflação.

Esses dados não eliminam a necessidade de debate sobre regulação, proteção social e equilíbrio nas relações de trabalho. Pelo contrário, reforçam a importância de construir soluções modernas, que reconheçam a diversidade dos vínculos profissionais e evitem respostas simplistas a uma realidade cada vez mais complexa. Tratar as novas formas de trabalho apenas como precarização é ignorar evidências empíricas e os efeitos concretos já observados na vida de milhares de pessoas.

Para setores como o de bares e restaurantes, que convivem diariamente com desafios relacionados à mão de obra, essas transformações representam também oportunidades. A integração entre negócios físicos e plataformas digitais ampliou mercados, dinamizou operações e gerou novas possibilidades de renda ao longo da cadeia produtiva.

O desafio que se impõe é avançar em um debate qualificado, baseado em dados e experiências reais. As novas relações de trabalho não são um problema a ser combatido, mas um fenômeno a ser compreendido, aprimorado e integrado a uma estratégia mais ampla de desenvolvimento econômico e social.

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