Histórias de terror e aventura criadas por cineastas capixabas
Filmes produzidos no Espírito Santo estão conquistando o público em todo o Brasil e ganhando impulso com festivais de cinema
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A sétima arte tem a capacidade de inspirar, emocionar, surpreender e até aterrorizar pessoas de todo o mundo, e no Espírito Santo não poderia ser diferente. Histórias de terror, paixão e aventura criadas por cineastas capixabas estão conquistando espectadores de todo o Brasil.
Um exemplo já reconhecido internacionalmente é Rodrigo Aragão, mestre do terror fantástico, roteirista e diretor de obras como “Mar Negro”, “Fábulas Negras”, “A Mata Negra”, “O Cemitério das Almas Perdidas” e “Prédio Vazio”.
“Sou fã do gênero de terror, e minha principal motivação sempre foi fazer filmes fantásticos os mais regionais possíveis. O Espírito Santo possui uma diversidade de cenários incríveis, que vão desde manguezais e praias até cidades de colonização europeia e ambientes urbanos, e isso encanta”, declarou.
Há 18 anos no comando da Fábulas Filmes Produções, Aragão participou de 140 festivais no Brasil e em países como Japão e Espanha, e ganhou 35 prêmios.
O cineasta de Guarapari conta que, no próximo lançamento, previsto para este ano, irá se aventurar no cinema infantil. O longa-metragem “Folclórica” contará a história de um saci que nasce com a perna trocada, e embarca em aventuras no universo do folclore brasileiro.
“Meu oitavo longa é um filme feito totalmente com bonecos de marionete, tipo “Família Dinossauros”. O saci Pequi nasce com a perna esquerda, em um mundo em que todos os outros sacis têm a perna direita. Após conversar com o feiticeiro Pai da Noite, ele parte em busca de um dente de Mapinguari para conseguir trocar o lado da perna. Todos esses personagens são do folclore brasileiro”, contou.
Apesar de “O Agente Secreto” ter perdido o Oscar 2026 nas quatro categorias em que concorreu, o cinema capixaba e nacional está vivendo um bom momento desde a conquista da estatueta com “Ainda Estou Aqui”, em 2025, analisa Fábio Camarneiro, professor do curso de Cinema da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
“O cinema capixaba está crescendo, e ganha impulsos importantes com o Festival de Cinema de Vitória. Além disso, com o Oscar em “Ainda Estou Aqui”, o cinema brasileiro ganha destaque no cenário internacional. O desafio agora é formar público para os filmes brasileiros e garantir espaços que rodem filmes nacionais a preços acessíveis o ano inteiro”, analisou.
Saiba Mais
Cem anos das primeiras imagens filmadas no Espírito Santo
Os filmes de Ludovico Persici, de 1926, são as primeiras imagens filmadas no Espírito Santo das quais existem registros oficiais.
Nascido em Alfredo Chaves, Ludovico inventou, em 1926, o Apparelho Guarany, equipamento de filmagem e projeção próprio.
O que restou dos filmes de Persici foi um conjunto de registros do cotidiano familiar entre 1926 e 1929, filmados em Cachoeiro de Itapemirim, Castelo e Marataízes, que recebe o nome “Cenas de Família”.
As filmagens, que foram redescobertas e batizadas com o nome atual nos anos 2000, podem ser encontradas no canal do YouTube @memoriacapixaba.
“Gymnasio Barão de Macahubas” é um documentário que registra o cotidiano escolar do Ginásio Barão de Macaúbas, em Guaçuí.
Especula-se que o material é o primeiro documentário realizado em terras capixabas. Estudiosos datam as filmagens de meados de 1920, sem autoria creditada, e que podem ser vistas no perfil do Instagram @arquivoguacui.
Florescer do cinema capixaba em 1966
A produção cinematográfica autoral capixaba começa a acontecer em 1966, tanto com obras de ficção quanto de documentários.
Uma geração de jovens artistas, jornalistas e intelectuais começa a fazer seus curta-metragens no formato 16 milímetros inspirados no cinema novo brasileiro do período.
“Indecisão” (1966), de Ramón Alvarado, inaugura esse ciclo.
O 1º Festival de Cinema Amador, realizado no Cine Jandaia, no centro de Vitória, em 3 de dezembro de 1967, exibiu nove filmes. O evento foi organizado pelo ator e produtor cultural Milson Henriques.
Até 1971, os filmes eram exibidos em eventos cineclubistas independentes e enviados para festivais de cinema do Rio de Janeiro.
Dos anos 70 em diante, a produção independente de filmes capixabas torna-se cada vez mais forte, embora se consolide apenas nos anos 90.
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