Bombeiros definem normas para carregar carros elétricos
Prédios residenciais e comerciais deverão instalar alarmes e sistemas de chuveiros automáticos em garagens fechadas
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As instalações de sistemas de recarga de veículos elétricos possuem, agora, normas estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, que determina regras de segurança em garagens de edificações, incluindo condomínios residenciais e comerciais. Entre as exigências estão a instalação de alarmes e sistemas de chuveiros automáticos e de detecção de incêndios.
O chefe do Departamento de Análise de Projetos do Centro de Atividades Técnicas (CAT) do Corpo de Bombeiros, major Domingos Sávio Almonfrey, explicou que existem quatro modelos de carregamento: os modos 1, 2, 3 e 4.
“Os modos de carregamento 3 e 4 possuem um interruptor de comunicação entre o veículo elétrico e o próprio carregador, que é o piloto de comando. Então isso faz com que, se a injeção estiver mal feita, esse piloto de comando desabilite o carregamento e não gere uma sobrecarga sobre o carro elétrico.”
Para automóveis em garagens fechadas, só serão permitidos os modos de carregamento 3 e 4, considerados mais seguros por possuírem sistemas de controle e comunicação entre o carregador e o veículo. Já os modos 1 e 2 ficam restritos a veículos de micromobilidade, como bicicletas e patinetes elétricos.
A Norma Técnica nº 23/2026 define ainda critérios para segurança, com a obrigatoriedade de instalação de sistema de chuveiros automáticos e sistema de detecção e alarme. A fiscalização não se aplica às residências e construções de pequeno porte, menores de 900 m. No entanto, o Corpo de Bombeiros recomenda que as regras sejam adotadas.
O chefe do Centro de Atividades Técnicas do CBMES, tenente-coronel André Lugon, analisou que a regulamentação não é nacional. Cada estado tem autonomia para definir suas regras, a partir de diretrizes gerais. “Cada Corpo de Bombeiros, dentro da sua realidade, cria a sua própria norma”, explicou o comandante.
Segundo ele, no caso do Estado, a norma foi construída por uma comissão técnica formada por oficiais especialistas, com base em orientações do Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros. “Foi uma construção coletiva, com participação de diversos órgãos e entidades, para chegar a uma norma equilibrada”, completou.
Revisão periódica em veículos reduz riscos de incêndio
Dois carros e uma moto pegaram fogo dentro da garagem de um condomínio em Jardim Camburi, em Vitória, na última quinta-feira. A ocorrência reacendeu o alerta para os perigos de negligenciar a manutenção dos veículos, que podem acarretar riscos mesmo quando estão estacionados.
A capitã do Corpo de Bombeiros, Andresa Nascimento, destacou que a prevenção é essencial. “Ter atenção à revisão periódica, observar falhas, barulhos ou qualquer sinal diferente é fundamental. Ao identificar algo fora do padrão, é importante resolver o quanto antes.”
Ramyson Lucas Gomes do Nascimento, mestrando em Estudo da Severidade Térmica em Incêndios de Veículos Elétricos a baterias em Garagens Confinadas, explicou que as causas para um veículo pegar fogo podem variar.
“Pode ser falha de projeto, vazamento de combustível, falhas elétricas ou de fluidos. O próprio carro tem fontes de calor que podem iniciar um incêndio, mesmo desligado”, afirmou.
Além da manutenção, os especialistas recomendam evitar improvisos e não usar a garagem como depósito. Segundo o mecânico Raphael Thomasi, proprietário da oficina Mecânica Thomasi, problemas simples podem causar incêndios.
“Às vezes é uma ligação elétrica mal feita, um acessório instalado de forma irregular ou até um reparo inadequado”, relatou o mecânico, que reforçou ainda que a manutenção preventiva é indispensável.
“Hoje muita gente tenta resolver por conta própria, mas isso aumenta o risco. O ideal é sempre procurar um profissional.”
Saiba Mais
Novas regras
- A norma do Estado adota três normativas nacionais (NBRs):
- A NBR 5410, que estabelece as condições mínimas de segurança e funcionamento para instalações elétricas de baixa tensão (até 1.000 V AC ou 1.500 V DC);
- A NBR 17019, que estabelece requisitos para instalações elétricas de baixa tensão focadas em carregadores de veículos elétricos;
- E a NBR IEC 61851-1, que é uma norma internacional, que fala também dos equipamentos.
Segurança
- Passa a ser obrigatória a instalação de chuveiros automáticos. Para incêndio em veículos elétricos, o combate às chamas é mais complexo. Atualmente, o único método eficaz conhecido para controlar esse tipo de incêndio é o uso de água.
- Também será exigido um sistema de detecção e alarme de incêndio. A função é identificar rapidamente fumaça ou calor e alertar os ocupantes, permitindo a evacuação segura do local antes que a situação se agrave.
A quem se aplica?
- A regulamentação vale para edificações com garagens que terão sistemas de carregamento de veículos elétricos, como condomínios residenciais e prédios comerciais.
- edificações residenciais e de pequeno porte não são fiscalizadas pelo Corpo de Bombeiros.
- Mesmo assim, a recomendação é seguir as normas técnicas.
Adequação
- Para edificações novas, que ainda não possuem projeto aprovado junto ao CBMES, foi dado o prazo de seis meses para adequação.
- Para edificações existentes: 1 ano para adequação das instalações elétricas e 3 anos para os sistemas preventivos (chuveiros automáticos, detecção e alarme de incêndio).
- Irregularidade
- Quem não respeitar os prazos e as normas estabelecidas poderá ser multado, além de ser um requisito para renovação do Alvará do Corpo de Bombeiros, dentro dos prazos citados.
Fonte: Corpo de Bombeiros.
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