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PEDRO VALLS FEU ROSA

A rotina do atraso

Texto critica a inércia do país diante de entraves tributários, legais e sociais

Pedro Valls Feu Rosa | 23/03/2026, 12:24 h | Atualizado em 23/03/2026, 12:24
Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa é desembargador ex-presidente do TJES e do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo. Bacharel em Direito pela UFES, é autor de obras jurídicas e idealizador de projetos inovadores como o “Botão do Pânico”, vencedor do Prêmio Innovare.

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          Imagem ilustrativa da imagem A rotina do atraso
Pedro Valls Feu Rosa é desembargador do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. |  Foto: Arquivo/AT

“Todo mundo fala de progresso, mas ninguém sai da rotina”. Esta frase, atribuída ao jornalista francês Émile de Girardin, bem que poderia ser aplicada ao Brasil que estamos deixando para as gerações seguintes. Nunca se falou tanto em progresso, desenvolvimento e modernidade - e paradoxalmente nunca se viu tamanha inércia, omissão e fatalismo.

Começo pelo sistema tributário. Segundo o IBPT possuímos o sistema mais complexo do mundo. Para discipliná-lo foram editadas, ao longo de 16 anos, 127.338 normas federais, 813.735 estaduais e 2.374.874 municipais. Calculou-se que aqui no Brasil uma norma tributária é editada a cada 40 minutos, em média.

Toda esta rotina burocrática causa grandes prejuízos para o nosso país. Nossas empresas, por exemplo, gastam em média 2.600 horas por ano só para gerenciar o pagamento de impostos, contra apenas 332 horas da média dos demais países. A burocracia tributária - e só ela - consome 1,7% da receita das empresas que atuam no Brasil, e o próprio governo gasta 1,3% de tudo que arrecada apenas para manter sua gigantesca estrutura de cobrança e fiscalização - contra apenas 0,4% dos Estados Unidos, 0,3% do Japão e 0,1% da Noruega.

Estes números indicam, e de forma clara, a necessidade urgente de se modernizar radicalmente o nosso sistema tributário. Porém, somos assustadoramente lentos neste processo - no mais das vezes simplesmente falar de progresso já nos faz felizes!

Há também o sistema legal como um todo. Calculou-se que a lentidão na aplicação das leis causa ao Brasil um prejuízo anual de US$ 1 bilhão. Constatou-se, em pesquisa realizada junto a 800 empresas, que se a eficiência do nosso sistema legal fosse elevada aos padrões dos países mais desenvolvidos o volume de investimentos aumentaria 10,4%, a produção seria elevada em 13,7% e a oferta de empregos seria 9,4% maior que a atual.

Cito mais números: o crime “rouba” cerca de 10% do PIB brasileiro, e gastamos incríveis R$ 21 bilhões a cada ano apenas no atendimento das vítimas. No Rio de Janeiro o comércio gasta anualmente R$ 2,8 bilhões para se defender da violência. Achou muito? Os bancos gastam US$ 1 bilhão só nesta rubrica.

Diante destes dados salta aos olhos a necessidade urgente de racionalizarmos nosso sistema legal. Mas que nada! Ressalvadas pequenas alterações pontuais, renunciamos à ordem e ficamos apenas sonhando com o progresso.

Enquanto isso, a CGU identificou irregularidades em praticamente 90% dos municípios brasileiros, e calculou-se que a bandalha traga anualmente R$ 26 bilhões do nosso país. Aos resultados disso: após pesquisa realizada em 18 países da América Latina, a ONU constatou que o Brasil ficou em 15º lugar quanto ao nível de adesão da população à democracia. Isto é sério. Muito sério.

Seria de se esperar, também aqui, que a gravidade deste quadro impulsionasse mudanças verdadeiras - porém, pouco se faz.

Não sei por qual motivo, mas subitamente lembrei-me de um pensamento de José Martí: “o maior inimigo do progresso é o hábito”.

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Pedro Valls Feu Rosa é desembargador ex-presidente do TJES e do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo. Bacharel em Direito pela UFES, é autor de obras jurídicas e idealizador de projetos inovadores como o “Botão do Pânico”, vencedor do Prêmio Innovare.

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Pedro Valls Feu Rosa é desembargador ex-presidente do TJES e do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo. Bacharel em Direito pela UFES, é autor de obras jurídicas e idealizador de projetos inovadores como o “Botão do Pânico”, vencedor do Prêmio Innovare.

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Pedro Valls Feu Rosa é desembargador ex-presidente do TJES e do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo. Bacharel em Direito pela UFES, é autor de obras jurídicas e idealizador de projetos inovadores como o “Botão do Pânico”, vencedor do Prêmio Innovare.

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