Feminicídio: não é amor, é posse. E precisa acabar
Crime nasce dessa mentalidade: a ideia de que o homem é dono do corpo, das escolhas e do destino da companheira
Iza Medonça
Izah Mendonça é jornalista, e apresentadora do programa Eu e Elas, o único do Estado voltado para o público feminino. Autora do livro Lisboa com Afeto, é também colunista, podcaster e empresária. Com 24 anos de carreira, atua dando voz as mulheres, fortalecendo histórias reais, o empreendedorismo, e a comunicação. É idealizadora do projeto 50tei e agora.
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Quando um homem mata uma mulher porque ela decidiu terminar um relacionamento, isso não é crime passional. Não é impulso. Não é “excesso de amor”.
É posse.
É a crença de que ela lhe pertence.
O feminicídio nasce dessa mentalidade: a ideia de que o homem é dono do corpo, das escolhas e do destino da companheira. E quando ela rompe, ele reage como quem perdeu uma propriedade.
Isso não acontece apenas no Brasil. Segundo dados da ONU, mais de 85 mil mulheres foram assassinadas no mundo em um único ano, e cerca de metade desses crimes foi cometida por parceiros ou ex-parceiros. Em países da América Latina, como México e Argentina, os índices seguem alarmantes. Em nações do Oriente Médio, leis e práticas culturais ainda colocam a mulher sob tutela masculina, limitando sua autonomia e proteção. Eu vivi em Portugal durante quase 10 anos e, como muitas pessoas, achava que lá seria diferente. Imaginava que, por ser um país europeu, as mulheres teriam mais proteção, menos violência e um ambiente social mais seguro. Mas estava enganada. Mesmo em Portugal, a violência doméstica e os assassinatos de mulheres continuam acontecendo de forma chocante e persistente. De acordo com os dados recentes do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), até novembro do ano passado em Portugal, foram registradas pelo menos 24 mulheres assassinadas, a maioria em relacionamentos íntimo . A violência doméstica não é exclusividade brasileira ou portuguesa. Na União Europeia, as mulheres são mortas quase duas vezes mais do que os homens em contextos de violência entre parceiros ou familiares, segundo dados de análises europeias.
Aqui, a realidade é igualmente grave. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que mais de 1.400 mulheres são vítimas de feminicídio por ano, em média, quase quatro por dia. E, em grande parte dos casos, o autor é alguém que dizia amar.
No Espírito Santo, já estivemos entre os estados com as maiores taxas de homicídio feminino do país. Embora políticas públicas tenham reduzido os índices ao longo dos anos, os números ainda preocupam. A cada novo caso, revive-se a mesma pergunta: por quê?
Talvez devamos começar pela educação que oferecemos.
Ainda ensinamos meninos a serem dominadores, a não chorarem, a reagirem com agressividade. E ensinamos meninas a serem compreensivas, a suportarem, a “não provocarem”.
Fortalecemos neles a ideia de controle.
Fortalecemos nelas a ideia de resistência silenciosa.
E assim perpetuamos o ciclo.
Não podemos mais aceitar justificativas como “ele estava nervoso” ou “ela provocou”. Nenhuma discussão autoriza agressão. Nenhum término autoriza assassinato. Nenhuma frustração masculina justifica violência.
A punição precisa ser severa. Estupro, agressão, tortura, assassinato, não são erros, são crimes. E crimes exigem resposta firme do Estado, urgente.
Enquanto isso, no Irã, uma nova lei gera indignação internacional ao permitir que o homem agrida a esposa desde que não cause fraturas, uma demonstração clara de como, em algumas sociedades, o corpo feminino ainda é tratado como território autorizado à violência. Isso escancara o quanto o problema é estrutural e global.
Eu sou radicalmente contra qualquer forma de violência doméstica. Não existe meio-termo quando falamos de agressão.
E é preciso dizer às mulheres: denunciem. Procurem ajuda. Saiam. Nenhum relacionamento vale sua vida. Amor não machuca, não ameaça, não controla, não queima, não mata.
Feminicídio não é tragédia inevitável.
É resultado de uma cultura que ainda tolera o inaceitável.
E enquanto houver silêncio, haverá repetição.
Se você está em um relacionamento que te diminui, que te machuca, que te isola, PROCURE AJUDA. DENUNCIE. SAIA.
Sua vida vale mais do que qualquer relacionamento. A coragem de denunciar pode salvar não só você, mas muitas outras.
Que a nossa voz seja mais alta do que o medo.
Que a justiça seja mais forte do que a impunidade.
E que nenhuma mulher seja tratada como propriedade novamente.
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PÁGINA DO AUTOREu e elas
Esta coluna é um espaço dedicado a histórias que inspiram mulheres a serem protagonistas de suas vidas. Izah aborda empreendedorismo, comportamento, saúde, bem-estar e causas sociais, valorizando trajetórias reais, conexões e informação com propósito.