Representatividade não é favor, é direito. Política não é território masculino
No Brasil, as mulheres representam aproximadamente 51,8% da população, mas isso não se reflete na política
Iza Medonça
Izah Mendonça é jornalista, e apresentadora do programa Eu e Elas, o único do Estado voltado para o público feminino. Autora do livro Lisboa com Afeto, é também colunista, podcaster e empresária. Com 24 anos de carreira, atua dando voz as mulheres, fortalecendo histórias reais, o empreendedorismo, e a comunicação. É idealizadora do projeto 50tei e agora.
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A cada ciclo eleitoral, um debate ganha força: a importância de ter mais mulheres ocupando espaços de poder. Ainda assim, muitas mulheres não se lançam como candidatas, seja por medo, vergonha, falta de apoio ou, simplesmente, pela força silenciosa de um sistema político que até hoje é predominantemente masculino.
No Brasil, as mulheres representam aproximadamente 51,8% da população, mas isso não se reflete na política. Nas últimas eleições para a Câmara dos Deputados, as mulheres eleitas correspondiam a cerca de 17,7% dos parlamentares, um número muito inferior à sua presença na sociedade.
Mesmo com as cotas de gênero que obrigam os partidos a preencherem um mínimo de candidaturas femininas, o percentual de mulheres eleitas segue baixo, indicando que o problema não está apenas na lei, mas na cultura política.
No Espírito Santo, essa desigualdade também está evidente no cenário municipal. Dos cerca de 860 vereadores eleitos no Estado, apenas 91 são mulheres, pouco mais de 10% do total, mesmo com as mulheres representando a maioria do eleitorado. E em cidades como Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica, juntas, apenas cinco mulheres ocupam cadeiras entre os legisladores, algo em torno de 6,7% dos representantes.
Por que isso acontece?
A política brasileira ainda é marcada por estruturas patriarcais que reproduzem barreiras invisíveis e explícitas: desde a dificuldade de acesso a recursos para campanha, até a violência online e a misoginia que muitas candidatas enfrentam. Esses fatores alimentam o medo e desestimulam mulheres a se colocar na disputa por cargos eletivos.
Mas a presença feminina na política é vital, e não apenas como símbolo de diversidade, mas porque a visão feminina transforma agendas, prioridades e resultados sociais. Estudos internacionais mostram que um maior número de mulheres nos parlamentos tende a ampliar a atenção a políticas de saúde, educação, direitos humanos e proteção social, temas que impactam diretamente a vida das mulheres e das famílias.
É preciso, portanto, tirar o “não” da boca e o medo do coração. As mulheres precisam acreditar que são capazes de liderar, debater, decidir e governar com competência e sensibilidade. Não se trata de preencher cotas ou responder a exigências, trata-se de ocupar com firmeza o espaço que sempre lhes pertenceu, mas que historicamente lhes foi negado.
Quando mais mulheres assumem suas próprias vozes, não é apenas o espaço político que se transforma: transforma-se a forma como políticas públicas são pensadas, debatidas e implementadas. E isso faz diferença real na vida de milhões de pessoas.
Neste ano eleitoral, que a reflexão vá além da crítica ao sistema.
Que ela seja um convite para cada mulher perceber sua força, levantar a mão e dizer: eu estou pronta.
Porque a política é de quem tem coragem de se candidatar, e o Brasil precisa de mulheres que não apenas ocupem cadeiras, mas que se tornem protagonistas da mudança que queremos ver.
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PÁGINA DO AUTOREu e elas
Esta coluna é um espaço dedicado a histórias que inspiram mulheres a serem protagonistas de suas vidas. Izah aborda empreendedorismo, comportamento, saúde, bem-estar e causas sociais, valorizando trajetórias reais, conexões e informação com propósito.