Volatilidade com prazo?
Conflito no Oriente Médio pressiona mercados globais e pode ter desfecho ainda em março, com impactos diretos sobre dólar, inflação e juros no Brasil
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Quando Estados Unidos e Israel fizeram seus primeiros ataques contra o Irã no último sábado (28), sabiam o que estavam fazendo e os riscos que corriam. Haveria retaliação iraniana, ainda que sua intensidade fosse incerta.
Estando os norte-americanos geograficamente distantes e Israel protegida por um sistema de defesa em múltiplas camadas, o Irã concentrou sua resposta sobretudo em países que abrigam bases militares americanas e dos quais partiram parte dos ataques.
Os efeitos econômicos foram imediatos. No primeiro dia útil após o início das hostilidades, dólar e ouro se valorizaram, bolsas caíram e o Brent incorporou prêmio de risco. Hubs relevantes de aviação suspenderam operações temporariamente. Esse padrão é típico de choques geopolíticos que atingem rotas energéticas críticas.
Para onde vamos? A evolução dependerá sobretudo da duração. Até o momento, as capacidades militares centrais não parecem estruturalmente degradadas, e a pressão internacional por mediação ainda está em consolidação.
A reabertura de aeroportos no Golfo pode indicar ajuste tático na intensidade dos ataques, preservando recursos e possivelmente abrindo espaço para diplomacia.
A partir desses elementos, o cenário mais provável indica que o conflito deve ser relativamente curto. Há chances relevantes de encerramento até 14 de março, caso a lógica dissuasória produza acomodação rápida.
Mesmo que isso não ocorra, a tendência predominante aponta para resolução até 28 de março, antes que os custos econômicos e militares se tornem excessivos para as partes.
Em um cenário otimista (encerramento até 14 de março), o impacto assumiria forma de choque curto: alta volatilidade com repasse limitado e temporário a preços e inflação.
Se o conflito se estender até 28 de março, o choque deixa de ser pontual e passa a influenciar expectativas.
O dólar manteria viés de alta, pressionando inflação via canal cambial e energético. A política monetária brasileira poderia adotar postura mais cautelosa quanto à continuidade de cortes da Selic.
A extensão além desse período permanece possível, mas menos provável. Para o Brasil, o cenário mais favorável é uma resolução rápida.
No extremo adverso, uma escalada prolongada ampliaria incertezas energéticas e financeiras, com reflexos negativos sobre câmbio, inflação e crescimento.
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