Trabalhador sênior: empresas investem em programas para o público 50+
Programa 50+ da Divisão Comércio aposta na experiência para fortalecer diversidade etária e impulsionar resultados dentro da empresa
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A aposta na valorização de profissionais com mais de 50 anos já faz parte da estratégia da Divisão Comércio, empresa do Grupo Águia Branca. Em 2025, a companhia lançou o Programa 50+, iniciativa voltada à contratação e ao reconhecimento da mão de obra sênior.
O objetivo vai além do preenchimento de vagas e busca fortalecer a diversidade etária, a inclusão produtiva e a sustentabilidade das relações de trabalho.
Segundo a head de Pessoas e Cultura, Juliana Barcelos, o programa foi desenhado para promover equilíbrio geracional e troca de experiências dentro da empresa.
“A experiência, a maturidade emocional e o repertório profissional ampliam a qualidade das decisões, contribuem para a formação de novos talentos e aumentam a consistência operacional”.
Hoje, mais de 400 colaboradores com 50 anos ou mais integram o quadro da Divisão Comércio, que soma cerca de 4.300 profissionais. Somente no ano passado, foram 82 admissões pelo programa, além de outras 12 contratações realizadas em janeiro de 2026.
Uma funcionária com esse perfil é Andréia Lopes Moraes Rodrigues, 52. Atuando na empresa há 15 anos, ela iniciou como assistente financeira, passou por diferentes funções e hoje é a líder do setor de contas a receber. “É uma empresa que nos dá boas oportunidades de crescimento. Hoje tenho uma carreira consolidada”.
Análise
Empresas devem saber unir gerações
O mercado de trabalho passou por profundas transformações nas últimas décadas, impulsionado principalmente pelos avanços tecnológicos, que alteraram processos e extinguiram profissões e empresas. Ao mesmo tempo, a composição da mão de obra mudou. Com o aumento da expectativa de vida e aposentadorias insuficientes, muitos profissionais experientes retornaram à ativa.
Esse movimento deve se intensificar. Até 2050, a população com mais de 60 anos deverá superar a de jovens no Brasil. A convivência entre gerações digitais e aquelas que acompanharam a revolução tecnológica moldará a dinâmica produtiva.
Há benefícios e tensões. Profissionais mais experientes oferecem visão estratégica e maturidade; os mais jovens, agilidade e domínio tecnológico. Às empresas caberá integrar essas diferenças e transformar a diversidade etária em vantagem competitiva sustentável.
Quem é o trabalhador sênior de hoje?
Novo perfil
O perfil do trabalhador 50+ é dinâmico e desafia estereótipos. Embora haja uma parcela que permanece em suas carreiras, o aumento nas contratações indica um número crescente de profissionais que retornam ao mercado ou buscam novas oportunidades, seja por necessidade financeira, desejo de manter-se ativo ou de encontrar novo propósito.
Profissionais que permanecem e evoluem dentro das organizações geralmente têm maior escolaridade média do que gerações anteriores na mesma faixa etária, além de especializações, MBAs ou certificações acumuladas, repertório técnico consolidado e capital relacional interno forte.
Profissionais que retornam ou se reinventam geralmente reingressam após desligamentos ou transições, buscam qualificação tardia, empreendem ou atuam como consultores e migram para formatos híbridos ou autônomos.
escolaridade e Experiência: Muitos possuem formação sólida, com especializações e pós-graduações, além de vasto repertório técnico e prático e uma rede de contatos consolidada ao longo de décadas ativos valiosos para as organizações.
Adaptação à tecnologia
A ideia de que profissionais 50+ são avessos à tecnologia é um mito. Embora não sejam nativos digitais, muitos demonstram disposição e capacidade para aprender novas ferramentas. Programas de mentoria reversa em que jovens ensinam tecnologia aos mais experientes têm se mostrado eficazes e são cada vez mais comuns em empresas que valorizam a diversidade geracional.
Home office e flexibilidade
A pandemia acelerou a adaptação ao trabalho remoto e híbrido. Os 50+ se mostraram igualmente capazes nesses formatos, valorizando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Sua disciplina e foco em resultados alinham-se bem a esses modelos.
Mudança de mentalidade
Há uma busca crescente por propósito. Muitos não querem apenas um salário, mas um ambiente onde possam aplicar sua experiência, mentorar equipes e contribuir estrategicamente. Cultura organizacional inclusiva e estabilidade tornam-se fatores decisivos na escolha de novas oportunidades.
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