Custo de vida no ES está acima da média do País, diz pesquisa
Gasto de moradores do Espírito Santo supera média nacional em R$ 260. Aumento é puxado pelos custos com moradia e também supermercado
Siga o Tribuna Online no Google
O custo de morar no Espírito Santo está acima da média nacional em quase todas as categorias, incluindo moradia e supermercado, segundo pesquisa realizada pelo Serasa, em parceria com o Instituto Opinion Box.
O custo médio mensal de vida é de R$ 3.520 no País. Já no ES, R$ 3.780. Para efeito de comparação, o salário mínimo é de R$ 1.621.
Segundo a pesquisa, contas recorrentes (25%), supermercado (25%) e moradia (14%) têm o maior peso no orçamento das famílias brasileiras. Somadas, ficam com 57% do total.
Moradia inclui aluguel, condomínio e financiamento. Nesse item, o Espírito Santo ocupa o 4º lugar (R$ 1.320), superando até mesmo São Paulo (R$ 1.310). Já supermercado no Estado é R$ 1.030, também acima da média nacional. Já em contas recorrentes — água, luz, internet, entre outras — o ES está abaixo da média nacional.
Para Marcelo Loyola Fraga, economista e Diretor Geral da Faculdade Capixaba de Negócios, os resultados da pesquisa mostram que a maior parte da renda das famílias está comprometida com despesas essenciais e pouco flexíveis.
“Isso reduz a margem para poupança e aumenta a vulnerabilidade diante de imprevistos, como desemprego ou alta de preços”.
Ele destaca que o custo acima da média nacional reflete uma combinação de fatores estruturais e conjunturais, como, por exemplo, renda per capita mais elevada da população e baixa concorrência entre fornecedores.
Já Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), destaca que um dos motivos é a logística. “Somos um estado pequeno, não conseguimos produzir tudo aqui. Muito dos produtos que utilizamos vêm de fora. Isso traz um custo logístico”, explica.
Outro fator é a renda. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, divulgado pelo governo federal, apontou que 81,51% da população do Espírito Santo integra as classes A, B e C. “Esse número significativo nas classes mais altas explica o custo de renda mais elevado”.
“Mas para os outros 19%, é uma situação realmente crítica”, destaca, acrescentando que uma alternativa seria usar alguma habilidade que a pessoa tenha, como fazer unha, para complementar renda.
Dificuldade de controlar despesas
Na pesquisa do Instituto Opinion Box, oito em cada dez brasileiros consideram difícil gerenciar orçamento e despesas. Já de acordo com dados mais recentes do Serasa, de dezembro, o Brasil tem 81,2 milhões de endividados, enquanto 42,72% da população capixaba está inadimplente.
O encarecimento de alimentos, energia e aluguel, somado à renda média, que não cresce no mesmo ritmo, pressiona o orçamento doméstico e amplia o risco de inadimplência, destaca Marcelo Loyola Fraga, economista e diretor-geral da Faculdade Capixaba de Negócios.
Para enfrentar esse cenário, especialistas recomendam planejamento financeiro mensal, priorização de gastos essenciais, renegociação de dívidas com juros altos, formação de reserva de emergência e pesquisa de preços.
“Educação financeira e consumo consciente tornam-se ferramentas centrais para preservar o equilíbrio das contas”, destaca.
Presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão também aponta medidas que podem ajudar no planejamento familiar.
“Em geral, orientamos famílias de classe média, que têm renda um pouco maior, a se planejar e anotar tudo o que gastam”.
Outro conselho é ficar atento a promoções e estocar produtos não perecíveis. “Itens como óleo podem ser comprados em maior quantidade quando entram em oferta”, diz. Ele destaca ainda que toda a família deve participar, inclusive as crianças.
Já para famílias com renda entre um e dois salários mínimos, a primeira recomendação é verificar se atendem aos requisitos para se inscrever no CadÚnico. “Famílias com renda menor devem ficar atentas aos benefícios oferecidos pelo governo para aliviar o orçamento, porque muitas vezes o que ganham não é suficiente para garantir a subsistência”, ressalta.
Saiba Mais
A pesquisa
Teve o objetivo de entender os gastos e custo de vida dos brasileiros. Foi feita entre os dias 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro deste ano, por meio de um questionário com 60 perguntas.
O valor alcançado no estudo considera as categorias mapeadas pela pesquisa.
Em cada item, foi questionado
“O quanto você gasta em...?”.
A margem de erro geral é de 1,2 ponto percentual.
Categorias
As categorias são: gastos com moradia (aluguel, condomínio, financiamento); Contas recorrentes (água, luz, internet, streaming, etc.); compras de supermercado; alimentação fora de casa; transporte/mobilidade;
E também de saúde e atividade física; lazer; compras em geral (calçados, cosméticos, gastos com pets); educação; serviços de cuidados pessoais (barbearia, manicure, tratamentos estéticos etc).
O Brasil
O brasileiro tem um custo mensal de R$ 3.520.
O Distrito Federal (R$ 4.920) é o local mais caro para se viver.
Já Sergipe é apontado como o mais barato (R$ 2.010).
Acima da média, o custo mensal do capixaba é de R$ 3.780.
Contas recorrentes (25%), supermercado (25%) e moradia (14%) têm o maior peso no orçamento. Somadas, ficam com 57% do total.
Moradia tem a maior disparidade absoluta entre regiões.
O custo no Sul (R$ 1.310) e no Sudeste (R$ 1.210) é significativamente maior em comparação com o Nordeste (R$ 800).
Custo médio mensal
Compras de supermercado
Brasil: R$ 930.
Espírito Santo: R$ 1.030.
São paulo: R$ 1.070.
Contas
Brasil: R$ 520.
Espírito Santo: R$ 520.
São paulo: R$ 560.
Moradia
Brasil: R$ 1.100.
Espírito Santo: R$ 1.320.
São paulo: R$ 1.310.
Transporte
Brasil: R$ 350.
Espírito Santo: R$ 350.
São paulo: R$ 410.
Saúde e atividade física
Brasil: R$ 540.
Espírito Santo: R$ 560.
São paulo: R$ 610.
Lazer
Brasil: R$ 340.
Espírito Santo: R$ 400.
São paulo: R$ 390.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários