Médicos ensinam a fazer “detox” no corpo após o Carnaval
Além de reforçar a hidratação, é preciso equilibrar a alimentação, regular o sono e praticar exercícios físicos
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O Carnaval é um período intenso de diversão e folia, mas também costuma vir acompanhado de exageros, principalmente no consumo de bebidas alcoólicas e na alimentação. A volta à rotina pode ser marcada por cansaço, inchaço, dor de cabeça e sensação de mal-estar.
Com o corpo “intoxicado”, muitos buscam soluções rápidas para recuperar o equilíbrio. Para a endocrinologista Maria Amélia Julião, o termo “intoxicão” não é apenas força de expressão.
“Durante o Carnaval, submetemos o organismo a um combo de agressões: álcool em excesso, privação de sono e dieta inflamatória, rica em gordura saturada e ultraprocessados. Quando bebemos, o fígado prioriza a metabolização do etanol, que é uma toxina. Nesse processo, há produção de acetaldeído, substância ainda mais tóxica, e um aumento do estresse oxidativo, sobrecarregando as células do fígado”, explica.
Ela acrescenta que a irregularidade do sono “desregula o ciclo circadiano, aumentando o cortisol, hormônio do estresse, e alterando a sinalização da insulina, o que favorece o acúmulo de gordura e a retenção de líquidos”.
A gastroenterologista Sarah Pilon reforça que não existem soluções milagrosas. “Quem faz a desintoxicação é o próprio organismo. O que precisamos é oferecer condições adequadas para que ele funcione bem.”
Para ela, a hidratação é a principal medida. “O álcool é diurético e inibe o hormônio antidiurético, levando à desidratação celular. É fundamental não esperar a sede aparecer. Nesse período pode alternar água com água de coco ou bebidas com eletrólitos”.
Na alimentação, o foco deve ser comida de verdade. “Precisamos reduzir a carga inflamatória e priorizar proteínas magras, vegetais verdes e fibras”, orienta Sarah.
A nutróloga Sandra Fernandes acrescenta que descanso e regularidade são essenciais. “Não existe nada melhor do que boa alimentação, hidratação e sono para recuperar. Sucos detox isolados não fazem isso.”
Ela recomenda ingestão de 35 a 40 ml de água por quilo ao dia e consumo de fibras entre 25 e 35 gramas. “A proteína é fundamental para síntese de glutationa e reparação hepática”, destaca.
Sobre exercícios, as três são unânimes: nada de compensar excessos com treinos exaustivos logo no primeiro dia, pois pode causar lesões ou desidratação severa. O retorno deve ser gradual, com foco na recuperação do organismo.
Fique por dentro
Hidratação
A reidratação é a peça-chave. O corpo já possui um sistema próprio de desintoxicação, mas ele precisa de insumos para funcionar.
O álcool é diurético porque inibe o hormônio antidiurético (ADH), favorecendo a perda de líquidos e levando à desidratação celular. A água é essencial para que os rins filtrem e eliminem as toxinas.
A orientação é não esperar a sede aparecer e alternar copos de água com água de coco ou bebidas com eletrólitos.
Bebidas muito açucaradas ou com excesso de cafeína devem ser evitadas, pois podem intensificar a desidratação ou mascarar a fadiga.
A recomendação é beber de 35 a 40 ml de líquido por quilo ao dia.
Alimentação equilibrada
O foco deve ser comida de verdade. A prioridade é reduzir a carga inflamatória e “limpar o caminho” metabólico com o aumento da ingestão de fibras.
Frutas, vegetais e grãos integrais ajudam na eliminação de resíduos e favorecem a microbiota intestinal.
Proteínas magras, como ovo, frango e peixe, auxiliam na recuperação do organismo.
Vegetais verdes escuros, como brócolis, couve e repolho, contêm sulforafanos, compostos que estimulam enzimas hepáticas envolvidas na metabolização de toxinas.
Também é fundamental evitar o que agride o fígado nesse período: açúcar refinado, embutidos e manter distância do álcool por alguns dias.
Priorizar alimentos
Vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor, rúcula), alho e cebola, frutas vermelhas, chá verde e azeite extravirgem.
Sono reparador
O descanso é parte central da recuperação. O fígado tem um tempo metabólico próprio para processar o álcool, e o sono adequado favorece o equilíbrio hormonal e a redução da inflamação.
Regular novamente os horários de dormir e acordar é o primeiro passo para reorganizar o metabolismo.
Atividade física
A prática de exercícios ajuda na circulação, auxilia na drenagem de líquidos e contribui para o metabolismo hepático, além de liberar endorfinas que melhoram humor e sono.
Tempo de recuperação
O processo depende da quantidade de álcool ingerida, idade, condições de saúde e capacidade metabólica individual.
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