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Carnaval antigo de Vitória

Carnaval de Vitória: memórias, marchinhas e resistência cultural

Aldo José Barroca | 13/02/2026, 12:53 h | Atualizado em 13/02/2026, 12:53
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          Imagem ilustrativa da imagem Carnaval antigo de Vitória
Aldo José Barroca é escritor, membro do HGES e da AEI |  Foto: divulgação

Nas décadas de 1950 e 1960 o carnaval de rua em Vitória era nas praças 8 e Costa Pereira. Os clubes realizavam bailes e matinês, eram cantadas as marchinhas e sambas dos carnavais carioca e capixaba, em ambos as letras eram crônicas do cotidiano. (Sendo na época a capital federal suas emissoras de rádio eram ouvidas nos demais estados).

Os “Blocos de sujo” desfilavam entre as duas praças. O carnaval antigo na capital capixaba era tranquilo: só se chamava “Seu guarda, põe para fora esse moço, que está no salão brincando com pó de mico no bolso”, marchinha de carnaval carioca de 1963. (Pó de mico é uma substância que causa coceira).

Antes de 1955 a atração do carnaval era a “União das Batucadas”. Fundada no final da década de 1940, unia agremiações de bairros e morros, consolidando-se em 1956. Houve a organização dos grupos carnavalescos, a realização dos primeiros concursos e a transformação das batucadas em escolas de samba.

No Morro da Piedade, em 1955, foi fundada a Unidos da Piedade, primeira escola de samba capixaba. Em 1957 existiam três escolas: a Unidos da Piedade, a Acadêmicos do Moscoso e a Império da Vila, atual Novo Império. O primeiro desfile competitivo aconteceu em 1958, na Avenida Jerônimo Monteiro.

Até a década de 1960 as escolas desfilavam ao som de vários sambas com o mesmo enredo. O primeiro samba-enredo vitoriense foi composto em 1962, por Mário Benedito Ramos, para a Unidos da Piedade. O samba homenageava o aviador Alberto Santos Dumont. Durante essas duas décadas, o carnaval de Vitória firmou suas raízes como festa popular.

Em 1955 foi inaugurada a estátua de indígena, apontando a flecha para a entrada da Baía de Vitória, entre os morros do Penedo e do Forte São João. Após a construção da Av. Marechal Mascarenhas de Moraes (Av. Beira Mar), a estátua foi guardada no depósito da Prefeitura.

O indígena não tinha nome. O compositor capixaba Júlio Alvarenga o denominou Arariboia, para demonstrar o descontentamento da população vitoriense, compondo a marchinha “Bota o índio no lugar”. “Bota o índio no lugar / Ele quer tomar banho de mar / Bota o índio no lugar / Ele é da Avenida Beira-Mar / Era Arariboia / Ele quer voltar pra lá / Doutor, por favor, / Bota o índio no lugar”. Os confetes e serpentinas que enfeitavam as ruas e os clubes ornamentaram Arariboia, lançados pelos inúmeros foliões fantasiados de índio.

Foi a música de carnaval mais cantada, a única música carnavalesca capixaba a superar as cariocas. As autoridades atenderam o veemente apelo. Por direito adquirido, voltou a ocupar seu espaço.

No final da década de 1970 o índio foi novamente retirado. No entanto, houve novas pressões de populares e de intelectuais, outra vez voltou para a Av. Beira Mar. Após passar por restauração devido a atos de vandalismo que danificaram a obra, a estátua foi transferida, em julho de 2014, para o pátio do Clube Saldanha da Gama.

Saudoso, fiz a trova: O carnaval que eu brincava / Com confete e serpentina, / Deixou saudade de outrora. / Não tem graça o de agora.

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