Não é a idade que limita a mulher, é o olhar social sobre ela
Série mistura romance e humor para discutir o etarismo e o valor das mulheres após os 40
Iza Medonça
Izah Mendonça é jornalista, e apresentadora do programa Eu e Elas, o único do Estado voltado para o público feminino. Autora do livro Lisboa com Afeto, é também colunista, podcaster e empresária. Com 24 anos de carreira, atua dando voz as mulheres, fortalecendo histórias reais, o empreendedorismo, e a comunicação. É idealizadora do projeto 50tei e agora.
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Assistir à série “Younger”, da Netflix, é ao mesmo tempo leve, divertida e profundamente provocadora. A trama parte de uma premissa quase absurda, mas assustadoramente real: uma mulher de 40 anos que precisa mentir sobre a própria idade, se passando por alguém de 27, para conseguir voltar ao mercado de trabalho. O que começa como uma solução improvisada se transforma em uma vida dupla, recheada de romances, conflitos, descobertas e dilemas emocionais.
Lisa, a protagonista, não mente por vaidade. Ela mente por sobrevivência profissional. E isso diz muito sobre o tempo em que vivemos. A série escancara uma realidade que muitas mulheres conhecem bem: a cobrança exagerada pela jovialidade, como se competência, criatividade e produtividade tivessem prazo de validade. Como se, depois dos 40, a mulher se tornasse invisível ou descartável.
Entre um namoro com um homem mais jovem, amizades improváveis e dilemas éticos, Younger entrega romance, beleza e humor. É uma série gostosa de assistir, visualmente encantadora e com personagens carismáticos. Mas, por trás desse romantismo leve, existe um incômodo que fica. Porque, fora da ficção, essa fase da vida feminina não é simples, nem cor-de-rosa. É um período marcado por transições internas, cobranças externas, inseguranças e, muitas vezes, silêncios.
Aos 40+, a mulher está no auge de muitas coisas, experiência, maturidade emocional, visão estratégica, mas precisa lidar com uma sociedade que insiste em valorizar apenas o que é jovem, rápido e superficial. A série acerta ao provocar essa reflexão: não é a idade que limita a mulher, é o olhar social sobre ela.
Younger diverte, emociona e convida à empatia. Mas a vida real nos lembra que é preciso mais do que romance para atravessar essa fase. É necessária consciência pessoal, acolhimento coletivo e, principalmente, uma mudança urgente na forma como a sociedade enxerga o tempo feminino. Porque envelhecer não é perder valor. É acumular histórias, potência e voz.
E isso, nem a melhor maquiagem da ficção deveria tentar esconder.
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PÁGINA DO AUTOREu e elas
Esta coluna é um espaço dedicado a histórias que inspiram mulheres a serem protagonistas de suas vidas. Izah aborda empreendedorismo, comportamento, saúde, bem-estar e causas sociais, valorizando trajetórias reais, conexões e informação com propósito.