Conta de luz pode subir até o triplo da inflação em 2026, diz estudo
Projeção para 2026 é de que o reajuste médio seja de 7,64%, influenciado pela taxa Selic e até pelo preço do barril de petróleo
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Este ano as contas de luz podem subir até o triplo do Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), segundo projeção de uma consultoria que atua no mercado de energia.
A estimativa é da empresa Thymos Energia, e foi divulgada em matéria da Agência Cenário Energia, publicação especializada no setor.
Em média, a Thymos estima que o reajuste seja de 7,64%, quase o dobro do IPCA esperado para o ano, estimado em 3,99% pelo mercado financeiro, segundo o Boletim Focus do Banco Central. No entanto, em distribuidoras de diferentes regiões, esse número pode triplicar, como em São Paulo, Pernambuco e Ceará.
Engenheiro eletricista e empresário, Carlos Jardim Sena explica que o Estado costuma ter índices de reajuste baixos. Ele explica que, diante do cenário econômico de 2025, a tendência é que o valor alcance do dobro ao triplo do IPCA.
Um dos motivos são os custos não gerenciáveis – ou seja, que não podem ser controlados pelas empresas –, que são integralmente assumidos no reajuste tarifário e são altamente afetados por questões macroeconômicas, como preço do barril de petróleo no mercado internacional e câmbio do dólar.
Além disso, afirma, os juros altos do ano passado, com a Selic em 15%, também causam impacto. “Impacta os custos de investimento e, consequentemente, o reajuste tarifário. Outros índices econômicos foram maiores. Com base em tudo o que aconteceu em 2025, a tendência é o dobro ou triplo com relação ao IPCA”.
Presidente do Conselho Regional de Economia do Estado (Corecon-ES), Ricardo Paixão destaca que esse aumento expressivo na conta de luz poderia causar vários prejuízos para a população capixaba, principalmente para famílias de baixa renda.
“A energia elétrica é um item básico de consumo. Um aumento consome parte da renda. Para muitos lares, isso significa ter que cortar gasto com alimentação, transporte ou educação”.
No Estado, segundo o economista, um reajuste alto poderia impactar na atividade industrial, aumentando os custos de produção. “Com forte atividade industrial, esse seria um impacto grande para a economia local”.
As próprias distribuidoras de energia poderiam ser afetadas, acrescenta, com o aumento da inadimplência nas contas de luz.
Saiba mais
Estimativa
a projeção é de um reajuste tarifário médio de 7,64% nas contas de energia elétrica, quase o dobro do IPCA esperado para o ano, estimado em 3,99%. Algumas regiões podem alcançar o triplo, destaca a Thymos Energia.
Os maiores reajustes projetados estão na Neoenergia Pernambuco, com alta de 13,12%, na CPFL Paulista, com 12,50%, e na Enel Ceará, com 10,66%.
Na outra ponta, a Thymos aponta que as menores variações devem ocorrer na Neoenergia Brasília (-3,73%), na Amazonas Energia (-1,72%) e na Equatorial Piauí (-0,83%).
O Espírito Santo não é mencionado em nenhum dos extremos. Engenheiro eletricista e empresário Carlos Jardim Sena destaca que o Estado está entre as 25% das tarifas mais baratas do Brasil.
Motivos
A consultoria aponta três razões para a alta no preço da conta de luz: aumento dos custos de geração de energia e alto volume de perdas (o que inclui furtos de energia, como os famosos “gatos”).
Além do contínuo crescimento da conta de desenvolvimento energético, encargo setorial que financia subsídios e é rateado por todos os consumidores.
O destaque é o aumento dos cortes de geração em usinas solares e eólicas, que atingiram níveis recordes em 2025 e forçam o uso de termelétricas, que têm custos mais altos.
Segundo Sena, um dos fatores que influenciou o aumento da tarifa foi a aprovação da Medida Provisória 1304, que absorveu um valor de subsídios maior do que o inicialmente pretendido.
Por ano, é perdido na transmissão de energia em torno de uma geração da Usina Itaipu, destaca o especialista, sendo que isso também impacta as tarifas.
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