Uma metáfora para a maturidade decisória nas organizações
Analogia entre a perlage do champagne e o processo de tomada de decisão nas empresas
Leitores do Jornal A Tribuna
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Ao reservar as últimas semanas do ano para descanso e reflexão, em busca de energia e inspiração para 2026, percebi que, mesmo nos momentos de pausa, uma mente estratégica dificilmente se desconecta por completo.
Durante um brinde com minha esposa, ao admirar por um instante a perlage do champagne, tive um insight que revelou uma nova forma de enxergar decisões empresariais.
As bolhas que sobem continuamente no champagne, a chamada perlage, são como opções estratégicas que emergem em uma empresa. E, assim como a perlage revela a vitalidade e a qualidade do vinho, o fluxo de opções estratégicas revela a maturidade decisória da empresa.
Assim, cada bolha representa uma possibilidade; cada possibilidade, uma promessa; e cada decisão, uma bolha que estoura.
A partir dessa analogia, desenvolvi a Teoria da Perlage Estratégica, que propõe o fluxo de bolhas como uma metáfora para compreender como decisões emergem, evoluem e se consolidam nas organizações. O modelo oferece uma abordagem elegante e prática para navegar em ambientes complexos: bolhas pequenas e persistentes indicam oportunidades sólidas; grandes e rápidas representam tendências; colunas consistentes revelam estratégias coerentes; enquanto bolhas dispersas denunciam a falta de foco.
O terroir corresponde à cultura organizacional: culturas férteis geram perlage fina, ao passo que culturas tóxicas produzem espuma. A taça simboliza a estrutura da empresa, moldada por hierarquia, transparência e comunicação, que influenciam diretamente o fluxo de ideias. A temperatura é o contexto: mercados “quentes” estimulam decisões precipitadas. Já a espuma é o inimigo: ansiedade, urgência artificial e excesso de reuniões.
Nesse cenário, o papel do líder torna-se claro: reduzir a espuma, criar clareza e permitir que as melhores ideias ascendam naturalmente. Mais do que controlar o processo, cabe à liderança cultivar o ambiente adequado para que decisões consistentes se revelem.
Além disso, a metáfora pode ser convertida em método decisório. O primeiro passo é observar a perlage, percebendo as opções sem prejulgá-las. Em seguida, distinguir bolhas reais de espuma, separando possibilidades autênticas de ruídos organizacionais. O terceiro movimento é identificar a coluna central, as opções alinhadas aos valores e à cultura da empresa. Depois, permitir a ascensão natural da melhor alternativa, resistindo à tentação de forçar escolhas inadequadas.
E, finalmente, aceitar o estouro: assumir a decisão e suas consequências.
A Teoria da Perlage Estratégica mostra que decisões não são apenas escolhas, mas expressões da maturidade, da clareza e da identidade organizacional. Empresas que cultivam uma perlage fina decidem melhor, inovam com consistência e criam valor de forma sustentável.
Então, como é a perlage do champagne com a qual você está brindando? Saúde e sucesso!
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