Quem era o adolescente morto após ser agredido pelo ex-piloto Pedro Turra
Rodrigo Castanheira estava em coma após briga motivada por uma desavença envolvendo um chiclete
Morreu neste sábado, 7, o adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, que estava em coma após ser agredido pelo ex-piloto Pedro Turra em Vicente Pires, no Distrito Federal. A agressão, ocorrida no dia 24 de janeiro, teria sido motivada por uma desavença envolvendo um chiclete arremessado.
Turra, de 19 anos, está preso desde o fim do mês passado. Na última segunda-feira, 2, ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda. O advogado de defesa do ex-piloto, Daniel Kaefer, disse não ter tido acesso aos autos ou inquéritos policiais para fazer qualquer comentário sobre o caso. A reportagem busca novo contato com o defensor.
A morte do adolescente Rodrigo Castanheira foi confirmada nas redes sociais por Flávio Henrique Fleury, tio da vítima. “Não resistiu, acabaram com uma pessoa maravilhosa de forma gratuita”, escreveu.
O Colégio Vitória Régia, onde Rodrigo estudava, também lamentou a morte do adolescente. “Rodrigo deixa uma história, marcas de afeto e memórias que permanecerão vivas entre nós”, diz a escola. “Seguiremos unidos em oração, fé e amor, sustentados pela esperança que temos em Cristo.”
O delegado Pablo Aguiar, responsável pela investigação, fez uma publicação nas redes sociais. “Durante a investigação deste crime, lidei com fatos, provas e silêncios difíceis. Mas, acima de tudo, carreguei a responsabilidade de lembrar que, por trás de cada detalhe técnico, existia uma vida que merecia respeito e verdade. Buscar justiça foi, e continua sendo, uma forma de honrar sua memória.”
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), classificou a morte de Rodrigo como um “episódio profundamente estarrecedor”. “Ao tomar conhecimento de seu falecimento, como pai, senti o coração apertado diante de uma vida tão jovem interrompida de forma tão precoce.”
O caso
Turra teria atingido o adolescente com uma série de golpes na cabeça, levando a um traumatismo. A vítima precisou ser submetida a uma cirurgia no crânio e estava em coma desde o ocorrido.
O acusado havia sido preso logo após cometer o crime, mas foi solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil – isso até a nova prisão, em 30 de janeiro.
Responsável pelo caso, o delegado Pablo Aguiar, da 38.ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires), afirmou que a prisão foi realizada em caráter preventivo e a operação teve autorização judicial.
Disse também que a prisão preventiva de Turra só foi possível após os agentes reunirem depoimentos de outras vítimas que comprovaram o histórico de violência do suspeito. Facas e soco-inglês teriam sido apreendidos na residência de Turra, relatou.
Aguiar confirmou que, ao todo, quatro ocorrências que envolveriam Turra estão sob investigação: a agressão do jovem de 16 anos; uma briga em Águas Claras; a agressão de um homem de 49 anos durante briga de trânsito; e o relato de uma jovem menor de idade de que ele a teria forçado a ingerir bebida alcoólica.
A defesa de Turra criticou a atuação do delegado, manifestando “profundo repúdio à conduta extremamente desnecessária, desequilibrada e imparcial do delegado de polícia que manifestou acusações, pré-julgamentos e injúrias à pessoa de Pedro, mesmo não tendo nenhuma qualificação profissional para emitir tal parecer”.
Turra faria parte do quadro de pilotos da temporada 2026 da categoria escola da Fórmula Delta, considerada o passo seguinte para pilotos que pretendem sair do kart rumo aos veículos de fórmula, mas foi desligado. A categoria automobilística informou que a decisão “já estava em andamento”.
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