Nem todo diagnóstico é despedida: câncer não é sinônimo de fim
Avanços na medicina mostram que o câncer pode ser tratado e não é uma sentença de morte
Leitores do Jornal A Tribuna
Quando ouvimos a palavra “câncer”, o impacto é imediato. O coração acelera, a mente corre para o pior cenário e o medo, muitas vezes, se instala antes mesmo da primeira consulta. Diante dessa situação de angústia e incerteza, a preocupação se torna legítima, pois a doença realmente é grave e, em diversos casos, infelizmente, evolui para óbito. Mas também é preciso lembrar algo bem verdadeiro: câncer não é sentença de morte.
Por décadas, esse diagnóstico temido quase sempre era associado à ideia de fim. O peso da palavra carregado de estigma, dor e silêncio ainda impacta muitos pacientes e famílias. Mas felizmente, os avanços na medicina, na tecnologia e nos cuidados multidisciplinares mudaram o rumo dessa história. Hoje, o diagnóstico de câncer não é mais uma sentença definitiva.
Com avanços na detecção precoce, tratamentos personalizados e apoio integral ao paciente, viver com câncer é possível. Passar pelo tratamento e superar as adversidades dessa jornada é uma realidade vivenciada por uma grande parcela dos pacientes.
Em muitos tipos de neoplasias, sobretudo quando detectadas precocemente, os índices de cura são superiores a 80%. Exemplos de tumores de mama, de pele, de próstata, de tireoide e outros apresentam alto índice de sucesso nesses casos. E mesmo quando a cura não se consolida integralmente, muitas pessoas vivem com câncer como se vive com qualquer doença crônica, com qualidade de vida, trabalho, família e projetos.
Falar abertamente sobre o câncer é também uma forma de salvar vidas. Promover o autocuidado, combater o preconceito e estimular a busca por diagnóstico precoce são passos fundamentais para que cada vez mais pessoas possam não só sobreviver, mas viver plenamente depois da doença.
Ao lembrarmos com carinho de quem partiu, podemos celebrar os que resistem e os que seguem. Pessoas que transformaram o medo em força, a dor em propósito e a vulnerabilidade em coragem. Gente que escolhe a vida todos os dias, mesmo diante da incerteza.
Não devemos romantizar a doença, mas precisamos desmistificá-la. Falar sobre o câncer com responsabilidade, empatia e esperança é um gesto de cuidado coletivo. É dizer ao paciente: você não está só. Mais do que isso: você está vivo!
O Dia Mundial de Combate ao Câncer, neste 4 de fevereiro, surge para reforçar essa mudança de perspectiva. A data nos convida a olhar para a doença sem negar o medo que ela traz, mas lembrando que o tratamento existe, a ciência avança e que, mesmo nos dias difíceis, a vida continua acontecendo. Nem sempre é fácil, nem sempre é rápido, mas há caminhos, há cuidado e há motivos para seguir. Esperança, aqui, não é ilusão, é realidade construída passo a passo.
Que possamos honrar a memória dos que partiram com respeito e amor e, ao mesmo tempo, reafirmar a vida dos que aqui caminham. Porque cada batida do coração é, por si só, um ato de resistência. E, para muitos, o câncer não é o fim, mas o começo de uma nova forma de viver.
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