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Câncer de colo de útero: a prevenção não é acessível a todas

Doença evitável, o câncer do colo do útero ainda reflete desigualdades de acesso à vacinação, ao rastreamento e à informação no Brasil

Aurenivea Cazzotto | 27/01/2026, 12:55 h | Atualizado em 27/01/2026, 12:55
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna



          Imagem ilustrativa da imagem Câncer de colo de útero: a prevenção não é acessível a todas
Aurenivea Cazzotto é cofundadora do Ellas Oncologia |  Foto: Divulgação

O câncer do colo do útero segue como um dos principais desafios da saúde feminina no Brasil, apesar de ser amplamente evitável. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), desconsiderados os tumores de pele não melanoma, esse tipo de câncer está entre os mais frequentes entre mulheres no país.

O dado evidencia que o problema não está na ausência de conhecimento científico, mas nas desigualdades de acesso, na desinformação e nas barreiras culturais que ainda afastam muitas mulheres do cuidado contínuo.

Também conhecido como câncer cervical, se desenvolve a partir de alterações celulares na região que conecta o útero à vagina. Na maioria dos casos, essas alterações estão associadas à infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), um vírus comum, amplamente disseminado e transmitido principalmente por contato sexual, inclusive em situações nas quais não há sintomas aparentes. Essa característica silenciosa contribui para diagnósticos tardios.

As desigualdades em saúde ajudam a explicar por que a doença ainda mata. As taxas de mortalidade são cerca de três vezes mais altas na América Latina e no Caribe do que na América do Norte, evidenciando disparidades no acesso à informação, vacinação e rastreamento. Nenhuma estratégia é efetiva quando o cuidado não alcança todas as mulheres de forma equitativa.

A vacinação contra o HPV é uma das principais ferramentas para mudar esse cenário. No Brasil, o imunizante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2013 e, desde abril de 2024, passou a ser aplicado em dose única para adolescentes, conforme recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Em 2025, a faixa etária foi temporariamente ampliada até os 19 anos para alcançar quem ainda não havia sido imunizado. Para adultos, a oferta pelo SUS permanece restrita a pessoas imunossuprimidas até os 45 anos; fora desses critérios, a vacinação ocorre na rede privada, onde o custo ainda representa uma barreira relevante.

Embora nem todos os subtipos do HPV estejam associados ao câncer, os tipos 16 e 18 apresentam maior potencial. O risco é ampliado quando associado a fatores como o tabagismo, que compromete o sistema imunológico e favorece a progressão das lesões.

Além da vacinação, o rastreamento regular por meio do Papanicolau e testes de HPV é fundamental para detectar alterações precoces, permitindo intervenções rápidas e aumentando significativamente as chances de cura. A combinação de prevenção e diagnóstico precoce é a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade.

Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero costuma ser assintomático, o que reforça a importância do exame preventivo e do acompanhamento médico regular. É nesse contexto que campanhas de conscientização, como o Janeiro Verde, cumprem um papel central ao informar, romper tabus e ampliar o debate público do tema.

Trata-se de uma realidade que pode ser transformada, e aceitar que mulheres ainda adoeçam ou morram por essa doença não deveria ser algo naturalizado.

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