14 mil sítios e fazendas do ES são comandados por mulheres
Com atuação crescente e qualificada no campo, público feminino se destaca em áreas como zootecnia e medicina veterinária
As mulheres estão presentes em todas as cadeias produtivas e setores do agronegócio capixaba. Com atuação crescente e qualificada, elas simbolizam a transformação no campo e assumem protagonismo em áreas como zootecnia e medicina veterinária, impulsionando mudanças estruturais em empreendimentos rurais de várias regiões do Estado.
Dados do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que aproximadamente 14.660 fazendas e sítios no Espírito Santo são comandados por mulheres, evidenciando a força feminina na gestão, na produção e no desenvolvimento da economia.
Em Piúma, a médica veterinária Poliana Domingues, de 45 anos, e a filha, Renata Domingues, de 15, auxiliam no manejo do gado na Fazenda Nova Senhora das Graças, dona na marca Nelore GD, considerada pioneira na criação de gado da raça Nelore no Espírito Santo.
Poliana é responsável por toda a parte reprodutiva do rebanho e também pelo cuidado de todos os animais da família, o inclui cavalos, gatos, cachorros e bois de raças mestiças. “Atuo diretamente no controle reprodutivo, no acompanhamento sanitário e no cuidado com os animais, o que garante qualidade genética e bem-estar do rebanho da nossa família”.
Profissão
Com mais de 20 anos de profissão, ela conta que já realizou mais de 10 mil inseminações ao longo da carreira. Formada pela primeira turma de Medicina Veterinária do Espírito Santo, em uma universidade particular de Vila Velha, Poliana destaca a dedicação à atividade.
“Construímos uma trajetória no campo, acompanhando de perto cada etapa do processo reprodutivo. É um trabalho técnico, mas também de cuidado e responsabilidade com os animais”, revela.
Já Renata concilia a rotina de estudante em uma escola agrícola com os afazeres da fazenda. Além de auxiliar no manejo diário, participa da doma dos bois e acompanha o pai, Luciano Domingues, de 55, em exposições agropecuárias em diversas cidades do Brasil.
Influenciada pela vivência familiar no campo, a jovem já planeja seguir os passos da mãe.
“Cresci nesse ambiente e aprendi desde cedo a respeitar os animais. Acompanhar meus pais me fez ter certeza de que quero seguir a Medicina Veterinária”.
Criadora de método inovador
Natural de Santa Teresa, Renata Eller, de 40 anos, soma mais de duas décadas de atuação no setor agropecuário. Filha de produtor rural, cresceu envolvida com a criação de bovinos na fazenda da família, experiência que marcou sua trajetória profissional.
Com o passar dos anos, além de auxiliar na gestão dos negócios rurais da família, consolidou-se como referência na pecuária brasileira ao desenvolver o método Pecuária 360º, uma abordagem inovadora e sustentável voltada à gestão integrada do ciclo produtivo.
Formada em Zootecnia aos 21 anos, iniciou a carreira como assistente técnica em uma empresa de nutrição animal. No início, enfrentou resistência por ser jovem e mulher em um setor majoritariamente masculino. “Muitos não me ouviam por causa da idade. Com o tempo, porém, homens que confiaram no meu trabalho ajudaram a abrir caminhos”, relata.
A atuação profissional ultrapassou as fronteiras do País. Em 2024, Renata foi convidada a prestar consultoria a um grande grupo agropecuário em Angola.
No Brasil, ela também se destaca como palestrante em eventos do setor e atua como consultora para pecuaristas de estados como Mato Grosso, Pará, Bahia, Minas Gerais e São Paulo.
Saiba Mais
Números
Hoje, mais de 14.660 fazendas e sítios são comandados por mulheres no Espírito Santo.
O número de estabelecimentos rurais liderados por mulheres no Espírito Santo era de 8.590, em 2017, e passou a ser de 14.661, uma variação de 71%, índice superior à média nacional, que foi de 44%.
Já a proporção entre homens e mulheres na gestão das propriedades rurais cresceu 40%.
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