Por que está chovendo tanto no Espírito Santo? Especialistas explicam
Sistema típico do verão explica sequência de dias chuvosos e mantém Espírito Santo em alerta
As fortes chuvas que atingem o Espírito Santo devem continuar nos próximos dias. Mas por que tem chovido tanto na última semana?
De acordo com a meteorologista Anete Fernandes, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o mau tempo é influenciado pela Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). O sistema, típico do verão, começou a atuar no início da semana e já provocou acumulados expressivos em diversas regiões do Estado.
“Esse sistema tende a persistir até o fim de semana, quando começa a recuar para o Sul do Estado. Até amanhã (hoje), todo Estado está com condição de chuva a qualquer hora. A partir de sexta (amanhã), o sistema começa a perder força, mas os efeitos ainda preocupam”, explica.
A tendência é de redução da intensidade da chuva no Norte do Estado, enquanto o Sul capixaba, na divisa com o Rio de Janeiro, segue sob maior risco.
Para quinta-feira (22), Vitória deve acumular níveis de chuva acima dos 50 milímetros. Apesar da diminuição gradual da severidade, o cenário segue delicado.
“O solo já está saturado e os rios estão cheios. Essa persistência da ZCAS é o que preocupa. Mesmo passando o período de maior volume, os problemas persistem”, alerta a meteorologista.
Por isso, a recomendação é que a população continue atenta aos avisos da Defesa Civil.
Em relação ao volume acumulado, janeiro deste ano já superou a média histórica em Vitória, segundo a meteorologista. Até a manhã da última quarta (21), foram registrados cerca de 166 milímetros de chuva, acima da média climatológica de 131 milímetros para o mês. Em janeiro do ano passado, o total foi de aproximadamente 180 milímetros.
A expectativa é que o tempo comece a melhorar entre domingo e segunda-feira, com redução das chuvas e retorno do padrão típico de verão, marcado por pancadas rápidas e isoladas.
Nível de rios é monitorado
Mesmo com o aumento expressivo de chuvas, os principais rios do Espírito Santo permaneciam dentro da calha e, até a noite de ontem, não havia registro de inundações.
O diretor-geral da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, afirmou que o monitoramento tem sido constante. “Os rios menores têm respondido mais rapidamente às precipitações, com elevação brusca de vazão”.
Um exemplo é o Rio Santa Joana, afluente do Rio Doce, onde a vazão chegou a quadruplicar em 24 horas. Apesar disso, o rio permanece sem transbordamento.
O Rio Doce, por sua vez, segue com vazão dentro da normalidade.
O panorama atual, segundo ele, indica controle, mas a avaliação depende do comportamento do tempo, especialmente em cabeceiras e regiões com solo já encharcado.
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