Janeiro Branco: uma semana com menos redes sociais reduz insônia
Foi o que constatou uma pesquisa feita com jovens entre 18 e 24 anos, que também tiveram melhoras com relação à ansiedade
Uma pesquisa publicada na revista JAMA Network Open revelou que jovens entre 18 e 24 anos que reduziram o tempo de uso das redes sociais por uma semana apresentaram melhora nos quadros de ansiedade e insônia.
De acordo com a psicóloga Luiza Colonna, o uso excessivo de telas mantém o cérebro em estado de alerta, dificultando o relaxamento.
“A luz azul estimula o cérebro, e os vídeos de curta duração geram picos rápidos de bem-estar, fazendo com que a pessoa queira consumir cada vez mais”, explica a psicóloga.
Embora o impacto seja negativo em todas as idades, crianças e adolescentes são os mais prejudicados.
“Nessa faixa etária, o cérebro ainda está em desenvolvimento, o que os torna mais vulneráveis a esse excesso de estímulos”, afirma Luiza.
Outro fator apontado é a comparação constante nas redes sociais. Para a psicóloga Silvia Missi, a exposição a vidas “perfeitas” pode afetar a autoestima dos jovens.
“Esses padrões inalcançáveis que vemos nas redes geram insatisfação com a própria vida e autocrítica”, diz.
Segundo Silvia, não basta apenas reduzir o tempo de tela, mas também é importante preencher esse tempo livre com atividades significativas.
“É legal pensar em adicionar hobbies, como leitura, atividades manuais e a prática de atividades físicas, por exemplo. Essas atividades nos ajudam a ter uma melhor qualidade de vida”.
O estudo também mostrou que o sentimento de solidão não desapareceu durante o detox digital, possivelmente pela redução das interações on-line.
Para a psicóloga Lícia Assbu, isso reforça a importância do equilíbrio.
“O ideal é reduzir o uso prejudicial sem eliminar conexões importantes, fortalecendo vínculos reais e mantendo um uso mais consciente das redes”.
Lícia destaca ainda que os pais e responsáveis possuem um papel fundamental nesse processo.
“Eles são o principal filtro cultural e emocional, ensinando autocontrole e regulação emocional pelo exemplo”.
Uso do celular
Monitoramento frequente
A operadora de caixa Evelyn dos Anjos Leão afirma que sempre monitora suas filhas Maria Victória, 14 anos, e Thewsley Sibely, 11 anos, nas redes sociais.
“Elas têm celular porque preciso falar com elas durante o dia. Mas as contas do Instagram são logadas no meu telefone”, conta.
Além disso, as meninas têm uma rotina repleta de atividades extras. “Elas fazem karatê e aulas de xadrez, por exemplo. Assim, ficam menos ociosas e quase não usam o telefone”.
Entenda
O estudo
Uma pesquisa publicada na revista científica JAMA Network Open revelou que a redução do tempo de uso das redes sociais traz benefícios à saúde mental de jovens.
Os 373 jovens entre 18 e 24 anos de idade que foram acompanhados reduziram o uso de tela de quase duas horas para 30 minutos por dia durante uma semana.
O detox foi direcionado aos aplicativos Facebook, Instagram, Snapchat, TikTok e X.
Resultados
16,1% menos sintomas de ansiedade.
24,8% menos sintomas de depressão.
14,5% menos sintomas de insônia.
Com relação à solidão, o estudo não identificou mudanças significativas, possivelmente porque os jovens deixaram de interagir nas plataformas durante o período de abstinência.
Os pesquisadores também observaram que os efeitos foram mais evidentes entre aqueles que já apresentavam níveis moderados ou elevados de sintomas antes do estudo.
Prejuízos do uso descontrolado
- aumento de ansiedade e depressão;
- dificuldade de concentração;
- queda da autoestima;
- riscos como bullying virtual e desafios perigosos;
- exposição precoce a conteúdos inadequados.
Sinais de alerta
- irritação ao ser interrompido;
- dificuldade para dormir;
- queda no rendimento escolar;
- isolamento;
- necessidade constante de validação por curtidas;
- ansiedade ao ficar off-line;
- perda de interesse por atividades que antes davam prazer.
Hábitos para uso saudável
Desativar notificações não essenciais;
Tirar o celular do quarto à noite;
Criar momentos e espaços sem tela;
Negociar limites de uso com os jovens com antecedência;
Incentivar atividades presenciais e vínculos reais;
Sempre desconectar uma ou duas horas antes de dormir;
Não usar telas durante as refeições ou em momentos de conversas com amigos;
Seguir as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria quanto ao limite de horas de tela por dia para cada faixa etária.
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