Últimos 15 orelhões vão ser retirados das ruas da Grande Vitória
É o fim de uma era, com a remoção dos telefones públicos. Até o da Ilha de Trindade, a mais de 1.100 km da costa, está na lista
O ano de 2026 é o início do fim definitivo dos orelhões no Brasil: desde o início do mês, as carcaças dos telefones públicos, que foram comuns em ruas brasileiras desde a década de 1970, começaram a ser removidas em todo o País. No Estado, há apenas 15 aparelhos.
A decisão sobre a retirada dos aparelhos das ruas foi da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e foi tomada após o fim das concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis por esses aparelhos – Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica.
Desde o início do ano, as cinco empresas não são mais obrigadas a manter telefones fixos e orelhões.
Atualmente, pouco mais de 2 mil orelhões ainda sobrevivem em ruas de todo o Brasil. No site da Anatel (https://informacoes.anatel.gov.br/) é possível saber onde estão esses aparelhos, com uma lista completa de todos os endereços.
O procedimento de retirada será realizado pelas próprias empresas de telefonia responsáveis por cada orelhão. Dos 15 aparelhos no Estado, 14 são operados pela Oi, e um – na Ilha da Trindade, que pertence a Vitória, mas está a mais de 1.100 km da costa – é operado pela Claro.
Os 14 aparelhos da Oi estão localizados em cidades fora da Grande Vitória. São Mateus é o município com o maior número deles ainda com aparelhos: são três. Na sequência, estão Linhares e Mucurici, com dois cada.
Há ainda orelhões com aparelhos – seja funcionando ou em manutenção – nas cidades de Alegre, Barra de São Francisco, Laranja da Terra, Muniz Freire, Presidente Kennedy e São Gabriel da Palha.
A retirada também inclui as carcaças de orelhões que não têm mais aparelhos em funcionamento ou em manutenção, como é o caso de um orelhão localizado em frente ao Instituto Federal do Estado (Ifes), em Jucutuquara, Vitória. Somente neste mês, a Anatel prevê que 30 mil carcaças serão recolhidas.
Ainda de acordo com a Anatel, o processo de retirada dos orelhões deve durar até 2028, e irá demorar mais em municípios onde não há outro serviço de telefonia disponível.
Em contrapartida, as empresas de telefonia deverão fazer investimentos em redes de banda larga ou móveis.
Segundo a Anatel, não há mais produção de cartões telefônicos, e os postos de venda são raríssimos.
A agência determina que quando não houver cartão, os orelhões devem permitir ligações locais e nacionais para telefones fixos de graça.
SAIBA MAIS
Surgimento
> Apesar do telefone semipúblico – encontrado em alguns estabelecimentos comerciais – já existir desde 1920 no Brasil, o telefone público só se tornou realidade no País em 1971. O alto índice de vandalismo motivou a criação do modelo conhecido como “orelhão”, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, e que foram inaugurados em janeiro de 1972.
Fim da concessão
> Cinco operadoras tinham contratos de concessão firmados com a Anatel, que incluíam a obrigação de oferecer Serviço Telefônico Fixo Comutado, abrangendo a manutenção de Telefones de Uso Público, o que conhecemos popularmente como Orelhões.
> Esses contratos tiveram fim no ano passado e, com a redução do uso de telefonia fixa e a necessidade de ampliar o acesso à banda larga, a Anatel e o governo federal buscavam reformular esse modelo anterior. O resultado foi permitir que as concessionárias migrassem do regime público para o regime privado, adaptando os contratos de concessão para autorizações.
> Para realizar a mudança, as empresas precisam assumir o compromisso de investir e manter a oferta de serviços de comunicação por voz, incluindo os orelhões em regiões que não possuem concorrência, até 31 de dezembro de 2028.
> Ou seja, os orelhões continuarão existindo como forma de garantir acesso básico à comunicação em regiões mais isoladas.
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