Adolescente sofre golpe em aula experimental de kickboxing e acaba internado na UTI
Jovem de 15 anos sofreu traumatismo craniano após lutar com um adulto em academia do bairro Vila Capixaba, em Cariacica
Um adolescente de 15 anos terminou internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após participar de uma aula experimental de kickboxing em uma academia no bairro Vila Capixaba, em Cariacica. O jovem teve um traumatismo craniano após sofrer um golpe, precisou passar por cirurgia e segue em recuperação.
Segundo informações da repórter Manoela Machado, da TV Tribuna/Band, o adolescente, morador de Vila Velha, estava na casa de um primo em Cariacica. Os dois foram até a academia para que o primo refizesse a matrícula no local.
Ao perceber que o estabelecimento oferecia aulas de luta, o adolescente pediu para participar de uma aula experimental de kickboxing. Ele relatou que já havia praticado boxe anteriormente, mas não tinha experiência na modalidade.
Ainda assim, o jovem foi colocado para lutar com um homem de 35 anos. Durante o treino, ele recebeu um golpe forte na cabeça. No primeiro momento, sentiu dores, mas retornou para a casa do primo.
Com a persistência das dores, o adolescente foi levado a um hospital, onde exames apontaram afundamento de crânio com fratura no osso frontal. Ele precisou passar por cirurgia e foi internado na UTI. Hoje, ele já está em casa.
Em entrevista à reportagem, o jovem relatou que havia treinado com outros alunos da academia sem problemas, mas sentiu a diferença ao enfrentar o adulto.
“Ele já tinha me dado dois golpes antes. Chegou a pedir desculpas pelo primeiro, que foi nas costas, mas disse que não precisava se preocupar porque era luta. Depois levei um golpe no rosto, fiquei tonto e me deitaram. Meu primo me trouxe água e, naquele momento, não achei que fosse algo grave”, contou.
A mãe do adolescente publicou o caso nas redes sociais para relatar a situação e recebeu diversas mensagens de apoio. Torcedor do Vasco da Gama, o jovem também recebeu uma mensagem do jogador Philippe Coutinho.
Segundo a mãe, ela foi informada de que, no momento da aula, não havia um professor graduado responsável pela atividade, apenas uma estagiária.
A academia informou, por meio de nota, que prestou apoio ao adolescente e alegou que não conseguiu contato com a mãe, afirmando ainda que não houve interesse dela em dialogar. A versão é contestada pela família.
“Eles não me procuraram em momento nenhum e ainda deixaram meu filho ir embora sozinho. A academia foi imprudente com ele e também com o meu sobrinho, que já havia sofrido um golpe parecido e chegou a parar de treinar. Espero que isso não aconteça com nenhuma outra criança”, afirmou a mãe.
Responsável técnico pode responder
De acordo com Ibsen Pettersen, presidente do Conselho Regional de Educação Física do Espírito Santo (CREF22/ES), o profissional que ministra este tipo de aula precisa ser formado e registrado junto ao CREF.
"A informação que temos é que a academia, onde aconteceu o acidente, é registrada junto ao Conselho e possui um responsável técnico legal, e ambos estão cumprindo seus deveres. A informação que não temos é quem foi o professor que ministrou esta aula onde ocorreu o acidente. Portanto não há como saber se ele é formado ou possui registro", explicou.
O presidente informou ainda que o responsável técnico da academia pode responder eticamente pelo caso, uma vez que o estágio não supervisionado é uma prática irregular da profissão. Ainda segundo ele, todos os profissionais são obrigados a ter curso de primeiros socorros.
"O acidente, para mim, é de assustar, porque não dá para a gente conceber que este tipo de golpe cause tamanha lesão no crânio ou na cabeça de uma pessoa, ainda mais de um adolescente. É fundamental que a academia tivesse, ainda que para uma aula experimental, autorização dos pais para que o adolescente participasse, uma vez que ele é menor de idade", completou Ibsen.
*com informações da repórter Manoela Machado, da TV Tribuna/Band
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