Vitória vira palco da versão mais radical do remo
Competição leva à Curva da Jurema uma das modalidades olímpicas e coloca Vitória no radar do remo de praia nacional
A capital capixaba está recebendo um evento que deve redefinir sua relação com o mar. Desde a última quinta-feira, até amanhã, a Praia da Curva da Jurema sedia o Campeonato Brasileiro Interclubes (CBI) de Remo de Praia, chancelado pelo Comitê Brasileiro de Clubes (CBC).
A competição apresenta ao público uma das modalidades que mais cresce no cenário internacional: o Remo de Praia, versão mais ousada e imprevisível do esporte. Diferente do remo olímpico, praticado em águas calmas com embarcações longas e delicadas, o Remo de Praia assume as características do mar aberto, com ondas, vento e correnteza, utilizando barcos mais estáveis, curtos e resistentes.
No CBI, a disputa é no formato Beach Sprint, considerado o mais emocionante da modalidade. A prova começa com uma corrida de aproximadamente 50 metros na areia, seguida de uma remada de 250 metros no mar com percurso em zigue-zague entre bóias, sempre em duelos diretos, e termina com um desembarque rápido e um sprint final até a linha de chegada.
O resultado é um espetáculo de velocidade, força e habilidade, visível ao público que acompanha cada movimento de perto.
Vitória ganha destaque nacional ao sediar a competição e reforçar sua vocação natural para o esporte. A Curva da Jurema, já utilizada regularmente por atletas locais, se consolida como candidata a futuro Centro de Treinamento permanente da Seleção Brasileira de Remo de Praia. A presença de clubes tradicionais, como Flamengo e Botafogo, além de atletas da seleção, evidencia o potencial do local.
O Espírito Santo está sendo representado pelo Álvares Cabral, anfitrião do evento, e pelo Saldanha da Gama. Ambos contam com apoio da FEARES, que investiu na compra de barcos modernos e mantém treinos frequentes na região, buscando pódios em categorias que vão da base ao master.
O público pode acompanhar gratuitamente todas as provas ao vivo pelo Canal Olímpico do Brasil, ampliando a visibilidade de Vitória no cenário esportivo nacional.
Diferenças do remo convencional e o de praia
Local de Prática
Remo Convencional: praticado em águas calmas, como lagos, raias artificiais e baías (ex.: Porto de Vitória).
Remo de Praia: realizado em mar aberto e praias.
Barco
Remo Convencional: barcos longos, estreitos, leves e de equilíbrio mais difícil.
Remo de Praia: embarcações curtas, mais largas e robustas, feitas para enfrentar ondas e vento.
Modalidade principal
Remo Convencional: regata com percurso fixo de 2.000 metros.
Remo de Praia: Beach Sprint, que combina corrida na areia, remada no mar em zigue-zague e um sprint final até a chegada.
Visibilidade para o Público
Remo Convencional: devido ao percurso extenso, o público acompanha apenas trechos da prova.
Remo de Praia: espectadores assistem de perto toda a disputa, o que torna a experiência mais intensa e emocionante — normalmente em formato de duelos.
Acessibilidade
Remo Convencional: exige estruturas especializadas, como raias e clubes com infraestrutura adequada.
Remo de Praia: mais acessível, pode ser praticado em qualquer praia com segurança, inclusive de forma recreativa.
Status Olímpico
Remo Convencional: modalidade tradicional do programa olímpico.
Remo de Praia: estreia confirmada nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
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