Nova chance para o amor depois dos 80: conheça o casal Lia e João
Lia Silva, 83, e João Silva, 86, subiram ao altar no último sábado, em Guarapari, um ano após se conhecerem em um baile
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Um encontro em um baile mudou a vida de Dona Lia Silva e Seu João Silva. Um ano depois, aos 83 e 86 anos, os aposentados subiram ao altar da Igreja Matriz São Pedro, em Guarapari, no último sábado, para oficializar o matrimônio após quase 10 anos viúvos.
A história de amor começou em um cerimonial na Praia do Morro, onde participavam de bailes dançantes às quintas e domingos.
Embora ainda não se conhecessem bem, a aproximação veio por meio de uma filha de João, que os apresentou, dando início a uma paixão que cresceu de forma rápida.
“Depois de um tempo, eu liguei para ela e disse que queria começar um relacionamento, mas a Lia não gostou da ideia. Eu respeitei. Dias depois ela me mandou uma mensagem e eu respondi de forma bem clara que estava a fim dela”, lembra João.
Lia conta que, após sete anos de viuvez, não pensava em se relacionar novamente, mas acabou cedendo. “No começo foi difícil, porque eu pensava que se casava apenas uma vez. Mas ele me mandou uma mensagem tão bonita que mexeu comigo”, revela.
A idade, que para Lia era um obstáculo, para João se transformou em motivação. Em apenas seis meses de namoro, surgiu a proposta de casamento. Inicialmente, a celebração estava marcada para setembro, mas o casal decidiu antecipar a data para agosto.
A cerimônia religiosa foi seguida por uma festa animada, que durou quase oito horas e só terminou ao amanhecer. “Veio família de vários lugares. Foi tudo como manda o figurino. Os convidados e o músico estavam muito empolgados, foi muito bom”, conta Lia.
O apoio dos familiares, segundo eles, foi essencial para a realização do sonho. “Ninguém foi contra, deram o maior apoio, dos dois lados”, afirma João.
Para o casal, a idade nunca será um empecilho para recomeçar. “Estou aproveitando uma fase boa da vida, estou feliz e amando. Graças a Deus, vivemos uma vida de jovem. Já somos e continuaremos muito felizes”, diz João.
“Nós já tivemos uma vida, e agora, daqui para frente, é só alegria. Por que não um casamento, uma festa em família e levar essa alegria para nossos amigos? Ficamos empolgados, conseguimos realizar nosso sonho e estamos felizes”, complementa Lia.
João e Lia Silva aposentados: “Vivemos uma vida de jovem”
A Tribuna: Quando e como vocês se conheceram?
João Silva: Nós costumamos frequentar um baile dançante no Cerimonial Paris, na Praia do Morro, às quintas e domingos. Certo dia, estávamos sentados na mesma mesa, eu e Lia, tomando um Campari.
Minha filha sugeriu que nós nos conhecêssemos melhor, e começamos a conversar, mas eu não acreditava que ela iria querer algo comigo.
Eu gostei dela à primeira vista. Depois, em casa, eu liguei, mas ela hesitou em se relacionar, me respondeu depois por mensagem explicando tudo. Eu retornei outra mensagem bem clara, dizendo que estava a fim dela, e deu certo.
E quem deu o passo para selar o casamento?
Lia Silva: Na primeira vez que ele veio até a minha casa, nós namorávamos há pouco tempo. Ele disse que queria se casar comigo, eu pensei: “Meu Deus, me segura”. E ele estava falando sério, disse que gostava das coisas sérias, e eu aceitei.
Nós já tivemos uma vida, e agora para frente, é só alegria. Por que não um casamento, uma festa em família, e levar essa alegria para nossos amigos? Ficamos empolgados, conseguimos realizar nosso sonho e estamos felizes.
Qual é o segredo para manter essa alegria e disposição?
João Silva: Nós estamos com essa idade, mas temos uma cabeça jovem. Eu ainda dirijo, tenho muito amor para dar. Estou em ótima fase, não gostaria de voltar para minha juventude.
Eu estou amando, gosto muito da minha esposa. Graças a Deus, vivemos uma vida de jovem. Já somos e continuaremos muito felizes.
Análise
“Hoje, temos uma visão diferente sobre a pessoa idosa”

“As coisas mudaram muito com o passar do tempo. Talvez, alguns anos atrás, isso não acontecesse ou fosse mais difícil. Hoje, temos uma visão diferente sobre a pessoa idosa.
É maravilhoso que esse cenário tenha mudado, porque é muito bom ter companhia, alguém próximo com quem se possa dividir a vida, independentemente da idade.
Essa convivência traz qualidade de vida, pois estar feliz e ter alguém ao lado para conversar faz toda a diferença. É algo muito válido e que deve ser estimulado.
Nesses casos, a participação da família também é essencial. Apesar de avanços, ainda vivemos em uma cultura marcada pelo preconceito, em que muitas vezes se acredita que o idoso deve se limitar a ficar em casa assistindo à televisão ou fazendo crochê.
O apoio da família é fundamental para quebrar esse tabu, ao aceitar e incentivar novas experiências de vida”.
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