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VÍDEO | "Aqui, quem freia é a gente", disse funcionário de tirolesa a engenheiro

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VÍDEO | "Aqui, quem freia é a gente", disse funcionário de tirolesa a engenheiro


 (Foto: Divulgação/ Redes sociais) (Foto: Divulgação/ Redes sociais)

Antes de sofrer o acidente que colocaria um fim em sua vida, o engenheiro João Paulo Sampaio dos Reis, 47 anos, chegou a gravar um vídeo (assista abaixo) no topo da tirolesa do Morro do Moreno, em Vila Velha, na tarde de sábado (1º).

As imagens, publicadas em seu perfil em uma rede social, revelam ainda um fato importante para as investigações que apuram a causa do acidente: o controle da velocidade do equipamento era feito de forma manual e não automática, conforme se especulava. "Aqui, quem freia sou eu", disse um funcionário da tirolesa ao engenheiro.

Em um momento do vídeo, um dos funcionários, responsável pela adequação dos equipamentos de segurança nas pessoas que decidem praticar o esporte, aparece explicando o processo de frenagem.

Enquanto ele prepara a amiga da filha do engenheiro para descer, ele explica o processo para a vítima, que se mostra a todo momento preocupada com a descida.

Leia o diálogo completo: 

  • João Paulo dos Reis: “A descida então é feita mesmo a partir de lá para lá, né?”, pergunta o engenheiro para o funcionário se referindo ao 2º ponto da descida.
  • Funcionário: “Exatamente. Mas é tranquilo”.
  • João Paulo dos Reis: “Mas aqui não deixa descer direto, não?”.
  • Funcionário: “Não. Impossível!”
  • João Paulo dos Reis: “É?”, pergunta o engenheiro com tom desconfiado.
  • Funcionário: “Por aqui quem freia sou eu. Se descer direto, quando chegar lá você pode quebrar um pé…”.
  • João Paulo dos Reis: “Porque lá não tem sistema de segurança, né?”.
  • Funcionário: “No outro tem (se referindo ao 2º ponto). Aqui, quem freia é a gente, mas é tranquilo. Aí, lá já é automático. Lá, você vai livre.
  • João Paulo dos Reis: “Coração vai na mão, quem nunca pulou, né?” , finaliza o engenheiro.

O outro lado

Na manhã desta segunda-feira (3), a empresa dona da tirolesa divulgou uma nota lamentando a morte do engenheiro e explicando o socorro prestado. 

Veja na íntegra:

"Prestamos total solidariedade à família, estamos todos de luto.

Estamos aguardando o resultado da pericia para sabermos tecnicamente o que de fato aconteceu, pois todos os procedimentos de prevenção são tomados durante a operação de ancoragem e descida até o destino final com segurança, tanto que em quase 2 anos nenhum incidente aconteceu. Todos os equipamentos de proteção individual para atividade são regulamentados por normas internacionais, devidamente certificados com CE – Certificação Europeia, e UIAA, que é uma certificação que outorga ao equipamento de montanhismo, escalada, alpinismo, rapel, e tirolesa, o cumprimento de normas de segurança internacional,

Nossos instrutores passam por um treinamento de operação dado pelo engenheiro responsável pela implantação da tirolesa, conhecedor das normas da ABNT, e a tirolesa nos dias de funcionamento é avaliada por um grupo de gestão em segurança com vídeo dos conectores, lacres, que conectam no tracionamento de sustentação e ancoragem ao sistema da tirolesa, desde o backup da ancoragem de engate, até o sistema de acionamento de freios.

O senhor João Paulo foi até a tirolesa com uma filha e uma amiga da filha, de forma que a filha de aproximadamente 14 anos desceu primeiro, participando da atividade com total segurança e tranquilidade, demonstrando o bom funcionamento da tirolesa, logo em seguida desceu a amiga, também de aproximadamente 14 anos, que também atestou a segurança e tranquilidade da atividade e do sistema, mas fatalmente ocorreu o infortúnio com o Senhor João Paulo, e muito embora as menores atestaram a segurança do sistema, pois desceram logo antes do Sr. João Paulo com segurança e tranquilidade, infelizmente algum fortuito ocorreu durante a descida do Senhor João Paulo.

Os sócios e organizadores da tirolesa estão muito abalados, sofrendo muito com o ocorrido, e prestam os presentes esclarecimentos, inclusive já estão sendo realizados todos os procedimentos para o contato com a família do Senhor João Paulo, prestando as condolências, bem como apresentando a apólice de seguro que cobre acidentes pessoais e óbitos, seguro este obrigatório como condicionante para o funcionamento da atividade esportiva.

Foi realizado todo o procedimento de RCP – massagem torácica cárdio respiratória, e APH – Atendimento Pré Hospitalar, uma vez que nossos instrutores são treinados para tais procedimentos, eis que foi retirado o equipamento da tirolesa, cadeirinha de descida e equipamento de EPI do Sr. João Paulo, para facilitar o procedimento pré-hospitalar RCP, APH e outros procedimentos técnicos visando desobstruir as vias respiratórias.

Em nenhum momento houve alteração da cena da ocorrência, mas sim, foram feitos os procedimentos protocolares visando resgatar e preservar os sinais vitais até a chegada do socorro acionado.

Em momento nenhum foi negado a entrega do material que compõe o equipamento de descida da tirolesa, que envolve todo equipamento de proteção individual, pois a todo o momento a preocupação sempre foi com o resgate e preservação dos sinais vitais do Sr. João Paulo, até a chegada do socorro acionado. Foi acionado o grupamento aéreo, o SAMU, Bombeiros, para o resgate. Todas as condolências são prestadas à família do Sr. João Paulo."

Veja mais:

Vistoria do Crea-ES não localiza dispositivo de frenagem na primeira etapa de tirolesa

Cena do acidente em tirolesa teria sido modificada, aponta polícia
 

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