Café mais resistente com cultivo orgânico no campo capixaba
Cultivo orgânico no Espírito Santo alcançou produtividade de até 48,2 sacas por hectare, sem uso de agrotóxicos sintéticos
O desenvolvimento de novas variedades de café arábica está ampliando as opções para os cafeicultores do Estado. Após anos de pesquisas, o Incaper identificou materiais adaptados às condições do Estado, resistentes à ferrugem do cafeeiro e com bom desempenho em lavouras conduzidas no sistema orgânico.
Os resultados são fruto de avaliações realizadas durante cinco safras em propriedades de Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins, dois dos principais polos de produção de café arábica no Estado. Nesse período, os pesquisadores acompanharam o comportamento de diferentes variedades em sistema orgânico, registrando produtividades entre 35,4 e 48,2 sacas por hectare.
“Esses resultados mostram que é possível produzir café arábica orgânico com elevada produtividade quando se utilizam variedades adaptadas às condições do Espírito Santo e um manejo adequado”, afirma o pesquisador do Incaper e coordenador do estudo, Romário Gava Ferrão.
Entre as variedades avaliadas, a IPR 103 foi a que apresentou melhor desempenho. Segundo os pesquisadores, o material tem potencial para atingir cerca de 86 sacas por hectare na safra de 2026.
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Além das características das plantas, o estudo também avaliou práticas de manejo adotadas nas áreas experimentais, como o plantio adensado e a manutenção de cobertura vegetal sobre o solo.
Essas técnicas contribuem para conservar a umidade, reduzir processos erosivos e melhorar as condições para o desenvolvimento das lavouras.
“As avaliações continuam em diferentes regiões produtoras para identificar quais variedades apresentam melhor adaptação a cada ambiente de cultivo. Esse trabalho permite ampliar o número de opções disponíveis aos cafeicultores capixabas e gerar recomendações mais precisas para cada região”, destaca Ferrão.
As pesquisas integram o projeto “Novas variedades de café arábica para o Espírito Santo”, desenvolvido pelo Incaper.
Uma nova unidade experimental foi implantada em Domingos Martins, onde os pesquisadores vão avaliar o desempenho das variedades em áreas de maior altitude e verificar a influência das condições climáticas na qualidade da bebida.
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