Do queijo ao pilates: empreendedora diversifica renda no Noroeste do ES
Com apoio do Agroamigo, Helkia ampliou a produção de queijos e inaugurou uma academia de pilates no Noroeste do ES
Antes mesmo de o galo cantar e do comércio de Monte Sinai abrir, Helkia Barbosa Batista, de 47 anos, já havia feito o corte da coalhada para produção de queijo. Horas depois, trocaria as roupas e deixaria para trás os tanques de leite e a lavoura para assumir outra função: empresária do ramo de saúde e bem-estar.
É que no distrito rural de Barra de São Francisco, no Noroeste do Espírito Santo, a mesma mulher que produz alimentos no campo é responsável por ajudar moradores a fortalecer músculos, aliviar dores e melhorar a qualidade de vida. Além da agroindústria, ela diversificou e abriu uma academia de pilates.
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A rotina de empresária e produtora rural parece distante da realidade que viveu alguns anos atrás. Divorciada e com dois filhos, Rebeca, 8, e Asafe, 13 , Helkia precisou encontrar uma forma de manter a renda da família sem abandonar a terra onde cresceu.
Filha de agricultores, ela conhecia as dificuldades do campo. Também sabia que, sem investimento, as oportunidades eram limitadas.
Com acesso a crédito pelo programa de microcrédito rural, o Agroamigo, do Banco do Nordeste, investiu na compra de geladeira, fogão industrial e utensílios adequados que permitiram aumentar a produção e melhorar as condições de trabalho.
O resultado não veio apenas em números. Veio em possibilidades. “Uma coisa foi abrindo caminho para outra”, resume.
Com mais estabilidade para o negócio, abriu-se espaço para novos planos, como a academia de pilates, inaugurada no início do ano.
“Sem apoio fica difícil. As pessoas começaram a deixar o campo há alguns anos. Hoje, vejo muita gente voltando. Quando existe oportunidade para investir, a pessoa consegue permanecer na roça”, afirma.
A crescente presença feminina à frente de empreendimentos no campo encontra reflexo nos dados do Agroamigo, onde as mulheres passaram a liderar a contratação de operações de crédito rural e hoje representam a maioria dos beneficiários do programa.
Análise
“Produto com mais valor agregado”
“No agro, muitas mulheres já possuem conhecimento, capacidade de trabalho e potencial de mercado, mas não têm o capital inicial para dar o próximo passo. Estamos falando de crédito de menor valor, voltado a usos bem concretos: uma máquina simples até melhoria da estrutura da propriedade.
Para uma grande empresa, pode parecer pouco. Para uma pequena produtora, pode ser a diferença entre vender matéria-prima barata e vender um produto com mais valor agregado.
Por isso, o microcrédito não é apenas uma dívida pequena; é uma ponte entre o trabalho que a pessoa já faz e a renda que ela pode gerar. No caso das mulheres no agro, esse acesso pode significar mais produtividade, mais autonomia econômica e melhores condições de permanência no campo.”
Saiba Mais
Microcrédito
- O Agroamigo é o Programa de Microfinança Rural do Banco do Nordeste (BDN) voltado para agricultores familiares.
Mulheres no agro
- O avanço da participação feminina no Agroamigo transformou o perfil do financiamento no campo ao longo da última década.
- Nesse período, as mulheres ampliaram de forma expressiva o número de operações contratadas, passaram a ser maioria no programa e assumiram protagonismo no acesso ao crédito rural.
Contratações
- Em 2015, as mulheres contrataram cerca de 221 mil operações no Agroamigo. Em 2025, esse número chegou a aproximadamente 403 mil contratos, o que representa um crescimento de 82% em 10 anos.
- Com esse desempenho, a participação feminina no total de operações do programa avançou de 49% para 54%, superando o público masculino e consolidando a liderança das mulheres no microcrédito rural do Banco do Nordeste.
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