Vitamina D pode reduzir riscos de Alzheimer? Especialistas explicam
Estudo associa níveis elevados do hormônio a uma menor alteração cerebral ligada à demência, mas neurologistas alertam para risco da superdosagem
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Níveis mais elevados de vitamina D no início da vida adulta podem estar associados a um menor risco de alterações cerebrais ligadas à doença de Alzheimer. Foi o que sugeriu um novo estudo com quase 800 participantes acompanhados por cerca de 16 anos.
Publicada na revista científica Neurology Open Access, no início deste mês, a pesquisa avaliou adultos sem demência, com idade média de 39 anos. O grupo de pessoas monitoradas pelo Framingham Heart Study já era seguido para riscos cardiovasculares e demência.
Foi analisada a relação entre a concentração de vitamina D no sangue e marcadores cerebrais típicos de doenças neurodegenerativas, como o acúmulo de proteína tau – uma das principais proteínas associadas ao Alzheimer.
Mas de que forma a vitamina D age no cérebro? Segundo o neurologista Jasper Guimarães, ela atua como um hormônio neuroativo.
“A vitamina D modula a neuroinflamação, regula o estresse oxidativo, influencia a hiperfosforilação da proteína tau, que é uma das mais envolvidas na doença de Alzheimer. Em níveis adequados, ela reduziria a hiperfosforilação da proteína tau. Além disso, a vitamina D proporciona a eliminação de proteínas anormais de forma geral”, detalhou.
Só que, em relação ao estudo, a neurologista Mariana Grenfell destacou que ainda é cedo para afirmar que níveis adequados de vitamina D, por si só, vão reduzir o risco de Alzheimer.
“Esse estudo mostra, na verdade, uma associação relevante, mas ele não consegue estabelecer uma relação de causa e efeito. Ou seja, pessoas com níveis mais baixos de vitamina D, nessa meia-idade, apresentam mais sinais iniciais de alterações cerebrais, como o acúmulo da proteína tau, mas isso, sozinho, não significa que a vitamina D, isoladamente, seja responsável por prevenir ou causar o Alzheimer”, explicou.
Manter níveis normais de vitamina D, segundo a neurologista Ana Cláudia Andrade, é uma recomendação para evitar diversos transtornos ósseos, musculares e neurológicos, e já faz parte da rotina de avaliação do neurologista.
“No entanto, é importante lembrar que níveis muito elevados dessa vitamina são perigosos e podem causar graves sintomas, podendo ser necessária internação hospitalar por risco de morte”, alertou.
Fique por dentro
Pesquisa
Estudo publicado na revista científica Neurology Open Access indica que níveis mais elevados de vitamina D na meia-idade estão associados a uma menor deposição da proteína tau no cérebro anos depois, que é um dos principais marcadores ligados à doença de Alzheimer.
Apesar dos resultados promissores, o estudo é observacional e não comprova que a vitamina D previne demência.
Especialistas destacam que existe apenas uma associação entre níveis mais altos da vitamina e menor acúmulo de tau, sem evidência de causalidade.
Isso significa que os dados não permitem afirmar que a reposição de vitamina D, por si só, reduza o risco de Alzheimer, sendo necessária a realização de ensaios clínicos para confirmar essa hipótese.
Papel da vitamina D no cérebro
A vitamina D atua como um hormônio neuroativo, com receptores em regiões como o hipocampo e o córtex cerebral. Ela participa da regulação da neuroinflamação, do estresse oxidativo e da fosforilação da proteína tau, processos diretamente envolvidos na degeneração neuronal.
Esses mecanismos ajudam a explicar por que níveis adequados da vitamina podem estar associados a um efeito protetor sobre o cérebro.
Riscos da suplementação indiscriminada
Especialistas alertam que os achados não devem ser interpretados como indicação para uso indiscriminado de vitamina D.
A automedicação pode ser perigosa, já que níveis excessivos da substância podem causar efeitos graves e até risco de internação.
A reposição deve sempre ser feita com acompanhamento médico e monitoramento periódico dos níveis no sangue.
Individualização da reposição
A decisão de suplementar vitamina D deve ser baseada em avaliação individual, considerando fatores como idade, exposição solar, presença de doenças e risco de deficiência.
Nem todos os pacientes se beneficiam da reposição e, em alguns casos, o excesso pode ser prejudicial. Por isso, a conduta deve ser personalizada, evitando recomendações generalizadas.
Prevenção de demências
A vitamina D não deve ser vista como uma solução isolada para prevenir doenças neurodegenerativas, segundo especialistas. Ela faz parte de um conjunto mais amplo de fatores que influenciam a saúde cerebral ao longo da vida.
Medidas como controle de doenças crônicas, prática regular de atividade física, sono adequado e estímulo cognitivo continuam sendo as estratégias mais comprovadas para proteção do cérebro e envelhecimento saudável.
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