Vem aí a caneta que ajuda a não perder músculo
Médicos explicam a nova aposta da ciência que promete combater a perda de massa muscular e o envelhecimento
Após a revolução das canetas emagrecedoras, a ciência volta os olhos para outro desafio: evitar que o corpo perca massa muscular em excesso durante o emagrecimento ou ao longo do tempo.
Os novos medicamentos, chamados também de “canetas para músculos”, ainda estão em fase de estudos, e atuam bloqueando a ação de proteínas como a miostatina e a activina, que “freiam” naturalmente o desenvolvimento dos músculos.
A nutróloga Sandra Ferraz, da Rede Meridional, diz que a proposta pode ajudar no tratamento de pessoas que já apresentam pouca massa muscular ou que correm maior risco de perdê-la.
“Esse é o caso de idosos, pacientes que passaram por doenças graves e com obesidade sarcopênica, com alto nível de gordura e poucos músculos”.
O debate ganhou mais força com a popularização dos medicamentos para emagrecer. Segundo a nutróloga, os dois tratamentos podem ser associados.
“O uso junto com as canetas emagrecedoras, seja de tirzepatida ou semaglutida, pode evitar a redução da massa muscular que pode acontecer no emagrecimento rápido e excessivo”.
A proposta se diferencia do uso de esteroides anabolizantes, que causam uma série de efeitos adversos, como explica a presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional do Espírito Santo (SBEM-ES), Maria Amélia Julião.
“Enquanto os novos medicamentos buscam preservar ou aumentar a massa muscular de forma direcionada, os anabolizantes atuam por vias hormonais e podem provocar efeitos em todo o organismo, como infertilidade, alterações no fígado e no humor, arritmias, infarto e até morte súbita”.
A nutróloga Mariana Comério adiciona, porém, que o uso do medicamento, após a liberação, deve ser bem orientado e com indicação médica.
“Na prática, estamos interferindo em um mecanismo fisiológico do corpo. Por isso, esse tipo de medicação faz mais sentido para pacientes que realmente apresentam perda muscular importante”.
Além disso, as futuras canetas também não devem substituir os efeitos de uma alimentação adequada e da prática de exercícios físicos de força.
“Não adianta apenas se alimentar bem sem dar estímulo ao músculo. Também não adianta construir músculo e deixar de treinar. É preciso ter um estímulo constante para conseguir preservar massa muscular”, afirma Mariana.
Remédios ainda estão em fase de estudos
Novos medicamentos
As chamadas “canetas para músculos” são medicamentos ainda em fase de estudo, com o objetivo de preservar ou aumentar a massa muscular.
Uma das principais linhas de pesquisa envolve a miostatina e a activina, proteínas que participam do controle natural do crescimento muscular e funcionam como uma espécie de “freio” para os músculos.
Os medicamentos tentariam bloquear essas proteínas ou os receptores usados por elas para transmitir sinais às células musculares.
Com esse “freio” reduzido, a intenção é favorecer a preservação da massa muscular e, em alguns casos, estimular o aumento.
Entre as substâncias que vêm sendo estudadas estão apitegromab, bimagrumab e trevogrumab.
Emagrecimento
A discussão sobre esses novos medicamentos ganhou ainda mais força com a popularização das canetas emagrecedoras.
Isso porque, durante uma perda grande de peso, o organismo elimina não apenas gordura, mas também uma parcela de massa magra.
Essa perda é ainda maior quando o paciente não tem acompanhamento nutricional e não pratica exercícios físicos.
A ideia seria poder combinar medicamentos para emagrecer com outros capazes de proteger os músculos, principalmente em pessoas que já apresentam essa deficiência.
Envelhecimento
Com o envelhecimento, também ocorre naturalmente uma redução progressiva da massa magra.
Em alguns casos, essa perda se torna mais intensa, levando à sarcopenia, condição caracterizada pela redução de massa, força e desempenho físico.
Por isso, os pesquisadores também avaliam o uso desse medicamento para esse grupo.
Os medicamentos, no entanto, não são considerados uma forma de “impedir o envelhecimento”, mas uma possível estratégia para reduzir uma de suas consequências.
Canetas x anabolizantes
As novas canetas em estudo têm mecanismos diferentes dos esteroides anabolizantes.
Os anabolizantes, como derivados da testosterona, atuam sobre vias hormonais do organismo e podem aumentar a massa muscular, mas estão associados a diversos efeitos adversos quando usados sem indicação médica.
Entre os riscos, estão alterações cardiovasculares, aumento da produção de células sanguíneas, maior viscosidade do sangue e outras complicações.
Já essas novas terapias buscam atuar de maneira mais específica sobre os mecanismos envolvidos na regulação do músculo.
Isso, porém, não significa que sejam livres de riscos, sendo necessário ainda esclarecer possíveis efeitos colaterais.
Outros cuidados
Mesmo com a futura aprovação, esses medicamentos devem ser usados como um complemento para ajudar na formação de massa muscular, sendo necessário ainda combinar alimentação e exercícios.
O consumo suficiente de proteínas é importante para fornecer ao organismo os nutrientes necessários para manutenção e formação do tecido muscular.
Já os exercícios de força, como musculação, estimulam os músculos e ajudam a preservar não apenas a quantidade, mas também força e capacidade funcional.
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